Ela é delicada. Quanto a isso, não existe qualquer dúvida plausível. No entanto, ao se atentar a essa fragilidade, o ouvinte consegue notar traços chorosos, mas não de uma melancolia pegajosa e apelativa. Aqui, existe sofrimento, mas de uma forma contida que chega a criar um cenário ainda mais tocante diante das notas mansas e esparsas desenhadas pelo piano durante os primeiros momentos introdutórios da obra.
É interessante notar que, inclusive, o piano faz de suas próprias pausas um som à parte. Aquele breve instante de silêncio que divide uma nota da outra serve como um elemento que, sem esforço algum, amplifica demasiadamente a dramaturgia e a visceralidade da composição, mesmo essa sendo esteticamente mansa. Com direito a momentos de um dulçor que envolve como um abraço cheio de pesar, a melodia desenhada pelo instrumento acaba fornecendo ímpetos de uma nostalgia que surpreende pela sua intensidade dolorida.
Diante desse aspecto, é possível até de se identificar a influência das polonaises polonesas na estrutura de seu dedilhar. Inclusive, em se tratando desse comportamento dos dedos, ele transforma Ezekiel’s Eye One – Determinism in D Harmonic Minor em um rubato extremamente expressivo em razão da sua densa melancolia. Uma prova da sensibilidade de Alexander Pasul Burton e do peso da influência de Chopin na sua música.
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