Pode ser até piegas mencionar, mas a leveza e a maciez com que a canção se inicia é tão envolvente que faz o ouvinte vivenciar um momento de puro êxtase. Um momento de bem-estar tão profundo que soa como um verdadeiro oásis sensorial. Uma espécie de ópio amorfinante sedutor e irresistível.
Doce, serena e fresca, a obra caminha lentamente, mas diante de uma cadência estruturada em uma velocidade suavemente mid-tempo, diante de um ecossistema dream pop atraente. Contudo, é importante mencionar que, a partir da maneira com que o vocalista entra em cena e emprega o seu tom, a canção, invariavelmente, faz o espectador mergulhar em uma experiência emocional associada não apenas ao torpor, mas a um toque interessante melancólico que não se configura como algo necessariamente pegajoso.
Proferindo cada palavra de maneira sussurrante, o vocalista faz com que a atmosfera seja agraciada por uma energia onírica que beira, inclusive, o transcendental. Com camadas sintéticas doces e embriagantes capazes de promover o etéreo, Falling é onde o Kallai, ao destacar a interação direta entre a intimidade do dream pop e do alt-indie, dialoga sobre a verdadeira visceralidade do amor. O mais audacioso na presente obra, porém, está na forma como o grupo constrói o shoegaze. Aqui, ele não vem na forma padrão e tradicional. Vem repaginado com selo atual máximo, um 2025 estampado em sua identidade de maneira a provar a sua modernidade.
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