Seu início, sem demora, leva o ouvinte a perceber nuances pegajosas de um soul sofrido e, inclusive, agraciado por nuances lacrimais. De compasso nitidamente estruturado em 4×4, a canção desfruta, igualmente, um flerte para com o blues de forma a torná-la não apenas acessível, mas atraente, aveludada e viciante.
Introspectiva, a faixa é emoldurada por versos líricos pronunciados de forma a salientar um sabor açucarado que chega a ficar no limiar da estridência. Na posse de Kiki T, esse tom, pela forma como é usado no ato de dar vida ao enredo verbal, ocasiona em lapsos de sensualidade provocante que, curiosamente, não flerta com o sexual, mas, sim, com o deboche. É assim que Favorite Things adquire, em definitivo, um corpo pop alternativo.
