Muitas vezes, quando nos referimos ao folk, imaginamos aquele cenário de violão e gaita que, em um certo período, consagrou nomes como Bob Dylan, Joan Baez e afins. E outros casos imaginamos a música folclórica de algum lugar e/ou país. E estamos certos sobre ambos, afinal de contas ‘folk’, em uma tradução livre, significa ‘povo’ e isso explica muita coisa.
Mas, musicalmente o gênero é mais abrangente do que se imagina, consistindo em diversas facetas. Nele, podemos encontrar celebrações, reflexões e até mesmo um conceito mais sombrio, que talvez seja o que temos aqui em mãos com o trabalho de estreia da banda Food for the Wyrm, da costa sul da Califórnia.
O projeto se originou do trabalho do cantor e compositor Beau James Wilding e é uma extensão de sua inclinação para explorar tons ásperos e rudes. O debut se chama “A Wicked Huntsman” e é composto por três composições originais, três canções tradicionais reinterpretadas e reinventadas, e duas versões de músicas folk, ambas interpretadas, modificadas e reinventadas por Beau.
E há um conceito bacana por trás do disco, já que seis das faixas representam flores nativas da Irlanda, cada uma representando uma experiência traumática: traição, perda, vergonha, crueldade, vício e ignorância.
Gravado originalmente na sala de gravação do Analogue Catalogue Studios, na zona rural da Irlanda, no verão de 2024, com “Irish” Tom (bodhrán e shruti box) e Frank Martian (guitarra elétrica/sintetizador), e posteriormente aprimorado com overdubs e mixagem final no Castaway 7 Studios, em Ventura, Califórnia, o disco tem uma pega sombria e ‘malvada’.
Mas não pense que se trata de algo conduzido pela rebeldia. Está mais para algo soturno e oculto, com um trabalho de cordas muito bem sacado, percussão esporádica e harmonias de fundo que dão todo esse teor mais denso e misterioso, que mexe com os brios dos ouvintes.
“A Wicked Huntsman” é um álbum que transcende o folk comum, trazendo ainda como cama de fundo a guitarra elétrica em slides e solos que tornam o trabalho mais perturbador (no bom sentido) e gaitas que fogem daquele teor alegre, deixando as canções com cara de suspense.
A cereja do bolo fica por conta do ótimo trabalho vocal. Com drives bem sacados, as linhas nos remetem a anões rabugentos, que exclamam por marcar seu território e preservar a natureza, sem tempo para a bondade das fadas e paciência de elfos. Apesar do teor épico, a abordagem e produção soam atemporais!
