Ela não é, necessariamente, amorfinante. Ainda assim, ela traz um quê de torpor diante de uma sonoridade que, apesar de ter uma aparência doce e aveludada, traz consigo frestas que induzem a uma sensibilidade inerente à tensão e ao assombroso. Felizmente, quando Sarina entra com seu timbre agridoce de postura firme, a canção não apenas ganha uma postura mais imponente, como também faz do introspectivo-melancólico algo sedutor.
Com a presença de rompantes do violino como forma de engrandecer a dramaturgia da obra e sobreposições vocais que aderem uma camada harmônica mais consistente para com o enredo sonoro, Fools Gold atinge patamares operísticos que surpreendem o espectador. É justamente nesse ponto que a obra se torna ainda mais dramática e intensa.
