Existe um detalhe na introdução que torna a canção um produto sônico que defende com todas as forças a significância do ousado e do excêntrico. Enquanto o ouvinte se depara com uma sonoridade rítmica, ele percebe que tais sons são, na verdade, frutos de uma reprodução vocal feito por um dos percussionistas. Eis então que, tal como se tivesse sido concedia uma espécie de permissão para prosseguir, a canção promove o seu desenvolvimento estético-estrutural.
Com o acompanhamento do piano seguindo as mesmas diretrizes daquele sonar vocal-percussivo, a obra vai tomando contornos delicados e frágeis que, curiosamente, se mostram ausentes de um frescor sereno. Felizmente, esse detalhe sensorial acaba se fazendo presente quando todos os instrumentos passam a preencher o ecossistema rítmico-melódico. Inclusive, é a partir daí que o charme e até mesmo um toque de romantismo capturam o espectador.
Enquanto o contrabaixo vai dominando a base melódica com o seu groove encorpado e grave, o ecossistema da canção vai denunciando uma base jazz charmosa, cuidadosamente dançante e essencialmente requintada pela forma como os instrumentos conseguem, inclusive, caminhar por um universo classicista de identidade europeia do século XX. Com participação de Manjunath, Forward ainda se destaca por apresentar, aprofundar e entorpecer o ouvinte na cenografia sonora da música carnática, uma tradicional forma musical da Índia.
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