A canção tem o início marcado por uma sonoridade sintética que, de imediato, causa sensos de curiosidade, mas também de tensão. Em razão da companhia de frases rítmicas firmes, o ambiente ganha certo quê de densidade de maneira a enaltecer um grau de seriedade vindo do horizonte. Ainda assim, não é possível se esquecer da base sensorialmente transcendental, a qual faz com que Introduction ofereça, acima de tudo, vislumbres de tranquilidade, paz e bem-estar. Dessa forma, a canção soa como uma aventura pelos ambientes inóspitos do inconsciente motivados por um profundo estado de torpor.
Tal como uma espécie de medley, a presente canção é agraciada por um amanhecer estruturado com a mesma linha rítmica ofertada na obra anterior. Ainda que com mais menções de um contexto propriamente melódico desenvolvido por sonares sintéticos que beiram a estridência, a presente faixa lança nova luz à postura introspectiva já ofertada anteriormente. Se transformando em algo pulsante e curiosamente atraente, Fragments alcança o feito de ser percebida como uma composição de nuances dançantes, mas não necessariamente irresistíveis. Afinal, existe muita seriedade em sua proposta sonora conjuntural. Ainda assim, isso não impede que o contexto eletrônico, no instante em que começa a ser estruturado, salte aos ouvidos do espectador e transforme a sua experiência sensorial.
Uma sonoridade aguda, sintética e levemente pipocante se mostra já dominando os primeiros vislumbres melódicos, conforme o escopo rítmico vai se apoderando da base estrutural. Conseguindo ser extasiante ao mesmo tempo em que se mostra entorpecente, a faixa explora certo grau de hipnotismo em razão da energia que alcança através da união rítmico-melódica. Introspectiva, a composição bebe de nuances sensoriais delicadas que embelezam a sua paisagem sônica. Surpreendentemente, Dreamer vem respaldada por um verso lírico vivido por uma voz feminina de natureza sussurrante. Na posse de Ariana Caleano, ela se embebe, também, de toques ligeiramente encorpadas e silhuetas ecoantes de forma a fazer, da canção, um produto sensorialmente onírico e embriagante.
Black Mountain, com a sua estrutura surpreendentemente dramática, densa, intensa e consistente, se apresenta como outro importante trunfo de Fragments Of Life. De despertar calcado em uma valsa consciente, mas com brisas esquizofrênicas, dos violinos, a canção rapidamente leva o espectador para um universo sensorial de natureza estridente, ritmicamente pulsante e cenograficamente noturno. Alcançando contornos sombrios e até mesmo fantasmagóricos em razão de sua paisagem sônica, a faixa, ainda que seja inquestionavelmente dançante em razão de sua base house, alcança, na companhia de Michael Canitrot, a ousadia de se classificar como um produto de essência puramente cinemática.
Como um álbum de estreia, Fragments Of Life apresenta um artista com grande potencial para agitar as paradas de sucesso da música eletrônica. Sem se ater aos complexos sensoriais típicos desse tipo de composição, Aalsnon propõe ao ouvinte uma experiência inédita que pode, em certos momentos, causar incômodo. Afinal, explorar a tensão existente entre intensidade e vulnerabilidade é algo para poucos. E é exatamente isso o que o disco propõe.
Entre composições que sugerem momentos de profunda introspecção e irresistível torpor, todos os 12 conteúdos do material levam o espectador a explorar e lidar com seus próprios e particulares universos inconscientes. Ainda assim, tanto a primeira, quanto a segunda, a terceira e sexta faixa são as que possuem maior destaque.
Muito além de elas trazerem, com precisão, as qualidades até então pontuadas, é esse grupo de composições que destaca a verdade absoluta por trás do álbum. Fragments Of Life é, simplesmente, um conteúdo que conta a história de transição, de dúvida e, principalmente, renascimento.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2tL0yAKQDnj1zb4V9uLeOY
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