Francesa Cécile Mollaret anuncia La Bien Aimée, canção que trata da transformação interior

É uma calmaria diferente. Sim, ela é mansa e tranquila. Ainda assim, imersa nessa suavidade, existem nuances espirituosas que capturam o ouvinte de imediato, lhe roubando, inclusive, suas noções de consciência. Enquanto o caráter transcendental faz seu curso por meio de um coro de sobreposições vocais guturais ululantes, o violão rapidamente passa a buscar um espaço dentro da construção sonora.

É assim que os primeiros dedilhares começam a ser construídos, o que insere, à canção, uma espécie de onda ressonante frágil e com nuances igualitárias de frescor e sutileza. Capaz de incentivar a sensorialidade inerente ao veludo, o instrumento convida o ouvinte a explorar um universo sensorialmente introspectivo, mas tão sereno que torna essa experiência agradável.

No instante em que os primeiros vislumbres líricos são percebidos, o ouvinte se percebe diante de uma proclamação. Uma interpretação poética de versos escritos nos moldes de próprios de um poema. Vivida por Cécile Mollaret, essa estrutura lírica logo se transforma em algo definitivamente melodioso, ainda que exalte suas nuances vocais levemente azedas. Ainda assim, o ouvinte é capaz de compreender, de toda a massa estrutural, que La Bien Aimée, muito além de seu charme em virtude do idioma francês que rege sua verborragia, ilustra, sem medo, flertes para com as paisagens sônicas do folk e da MPB. É assim que a obra difunde, com graça e exatidão, a ideia de transformação.

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