Games Of Life | Em novo álbum, Jeppediinho explora suas influências musicais de infância

A atmosfera melódica vai se evidenciando de maneira gradativa. E, nesse processo, o ouvinte já consegue perceber a essência da canção. Diante de um frescor associado com uma temática sonora sintética, ele vislumbra o nascimento de um contágio iminente proporcionado pela imersão direta na estrutura da música eletrônica. Entre nuances hipnóticas e outras entorpecentes sugeridas pela sonoridade em construção, Illusion se transforma em algo viciante assim que seu escopo lírico começa a ser devidamente vivido por uma voz masculina afinada em um tom intermediário. Na posse de Jeppediinho, ela é usada de forma a enaltecer um senso enérgico que pede pela dança em sua forma mais pura.

Aqui, a sonoridade também é exposta de maneira gradativa, mas, com uma singela e importante diferença. Ainda que posta à tona paulatinamente, ela já é introduzida em meio às suas silhuetas já maduras, o que significa que a melodia já se anuncia em sua forma invariável e bem estruturada. Difundindo a ideia de pulsos rítmicos perante uma sonoridade igualmente pulsante, The Wrong Time explora a dança e a energia de uma maneira curiosamente mais introspectiva. Com direito a uma linha lírica editada para um tom mais agudo, a faixa se destaca por ter, em si, a experimentação de harmonias vocais mais bem trabalhadas.

Aqui a introspecção se apresenta em sua máxima forma. Mas não só isso. Diante dessa evidência, a sonoridade sintética que serve como a paisagem introdutória dessa nova canção traz consigo pungentes e nítidas inclinações para com o senso de melancolia. Abraçada por sons que sugerem a fantasia e o esotérico, a presente composição é liricamente narrada, novamente, pela voz de Jeppediinho em sua forma límpida. Por meio dela, é interessante perceber que Lost In My Mind, apesar de ser agraciada por uma levada rítmica lexicalmente dançante e delicadamente pulsante, traz em sua identidade uma mensagem verbal reflexiva. 

Não necessariamente que ela siga a mesma fórmula da canção anterior, mas, definitivamente, elas possuem a mesma energia. Muito além da introspecção e da melancolia, tanto Lost In My Mind quanto Find Myself têm, em si, uma natureza reflexiva em cujo diálogo tem o mesmo movimento em relação ao processo de autoconhecimento. Aromática e aveludada, em certa medida, a canção, ao permitir a presença dos estalos que indicam a introdução do beat em sua paisagem sônica, acaba sendo abraçada por lampejos de dramaticidade, mesmo que mínimos. E esses lampejos acompanham o ouvinte durante toda a execução da faixa, inclusive nos momentos em que vivencia instantes de crescendo.

Em verdade, dá para se dizer que Games Of Life se consagra como um material de caráter sentimental. Instrumentalmente introspectivo e explorando, com parcimônia, a melancolia, como importante detalhe de sua sensorialidade, o álbum se destaca por conseguir combinar veludo, torpor, introspecção melancolia e dança.

E que coisa interessante é essa de ser capaz de fazer da tristeza e do intimismo algo capaz de contagiar, entreter e animar. Definitivamente, esse é um grande feito alcançado graças à sensibilidade de Jeppediinho. Ainda que encontrado principalmente no decorrer das quatro primeiras faixas do álbum, essa conquista, claro, também observada nos restantes dos títulos da track list, mas em doses menores. Tudo isso diante de uma paisagem sônica que encapsula a era de ouro da house music.

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