Existe tensão, existe densidade. Existe o suspense. Por meio de uma camada sonora de natureza gutural que abraça toda a base melódica, a obra convida o ouvinte a mergulhar em um ambiente que sugere o profundo e uma experiência sensorial minimamente desconfortável. Ao mesmo tempo em que isso acontece, uma sonoridade aguda e valsante vai se ocupando da dianteira melódica com movimentos pautados em inflecções que, curiosamente, sugerem traços do maqam.
Antes mesmo que a obra coloque o ouvinte em contato com a sua estrutura completa, porém, o chimbal seco, mas capaz de transpirar uma identidade digital inquestionável, se pronuncia a tal ponto que exibe um compasso trepidante. Ocasionando a obtenção de contornos envoltos em lucidez ante o torpor maciço até então disseminado, o instrumento acaba funcionando como o único elemento a incitar o palpável diante do ecossistema em desenvolvimento.
Entre versos líricos dispostos de maneira hipnótica que ficam repetindo os mesmos dizeres, o pulso rítmico assume um formato mais preciso e intenso. Duro, mas curiosamente sem ser respaldado pela rigidez em sua forma léxica, ele inspira um torpor irresistível que se sobressai perante o sintetizador e a sua incinuação perfeitamente calcada na paisagem da synthwave. É assim que Get Up fornece uma estrutura pautada nos 130 bpm.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6fna050QxoxPadpM3hCyoQ
Instagram: https://www.instagram.com/egger.music/
Facebook: https://www.facebook.com/profile.php
