Ghost Of You In Me | Alan Mair lança single em que cantou, compôs e se autoproduziu

Ainda que o teclado traga aquela boa combinação de dulçor e acidez, a canção, desde seu início imediato, é agraciada por uma noção de sensualidade intrigante favorecida pelo compasso ondulante do chimbal. Mesmo assim, não é a maciez que marca a sensorialidade percebida pelo ouvinte e, sim, um caráter sombrio interessante que transpira de todos os poros da musicalidade em construção.

Nesse ínterim, tal como se estivesse imersa no efeito fade in, a guitarra de Zal Cleminson é percebida por entre gritos tremulantes e regozijantes que ampliam a sua presença de maneira gradativa no ecossistema em exibição. Quando, finalmente, o escopo rítmico começa a ser moldado, o espectador tem acesso a um timbre intermediário, mas que, curiosamente, oferece uma mistura equilibrada de dulçor e acidez.

Na posse de Alan Mair, essa voz, que traz consigo uma grande familiaridade para com o tom do saudoso Scott Weiland, é usada em uma interpretação lírica que dá origem a uma vivência soturna penetrante. Misturando torpor e introspecção, Ghost Of You In Me mistura noções de uma new wave associada com um post-punk da década de 70, a tornando irresistivelmente atraente e sedutora, ainda que diante de uma cenografia sombria e pegajosa. Não impressiona que, de certa forma, gostar da presente obra seja algo como um sadomasoquismo, pois ela pode contagiar, mas, ao mesmo tempo, oferecer sensos de insegurança e um leve temor.

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