God In The Wild | Mary Tuttle lança EP tido como uma autêntica jornada de fé

O piano por si só já traz a delicadeza que a composição pede. Dosce, frágil, sereno e angelical. Contudo, no instante em que Mary Tuttle entra em cena com o seu timbre grave, a composição ganha uma conotação de firmeza simplesmente surpreendente. Transcendental, em certo aspecto, I Choose You bebe de um romantismo léxico a ponto de soar como uma clemência por um amor sincero.

Com o tilintar grave do que parece ser o xilofone, a canção imediatamente garante para si um contexto não apenas onírico, mas espirituoso bastante latente. Introspectiva e vulnerável, é interessante perceber como a canção usa o chiado como seu próprio aliado na aquisição de texturas mais palpáveis. Diferente da obra anterior, porém, em I Put My Trust In You, Mary tem o respaldo do violão, elemento que contribui para a ampliação do contexto melódico e para a aquisição de uma envolvência superior.

A faixa-título e We’re All Holy são composições embebidas em religiosidade, fé e cristandade na sua forma mais léxica. Combinando o som excêntrico do que parece ser a gaita de fole no caso da primeira e um time consistente de backing vocals na segunda, o EP se consagra como um produto de elevação e motivação espiritual inquietante que funciona como uma autêntica jornada de fé, amor e autoconhecimento.

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