Hate At First Sight lança Familiar Mutations, seu primeiro projeto solo

Depois que a sirene rompe o silêncio da introdução, as guitarras se unem em um uníssono áspero que entrega intensidade e uma injeção de adrenalina na composição. Curiosamente, porém, o ouvinte desemboca em um ambiente de condução rítmica macia agraciada pela textura tilintante do pandeiro, enquanto o escopo lírico é vivido por uma voz masculina de caráter fanhoso. Harmonicamente linear, Situation Situation tem, em si, uma atmosfera sombria interessante que, audaciosamente, é agraciada por rompantes entorpecentes.

Back To Work já traz consigo uma proposta diferente. Puxada por um sintetizador responsável por inserir uma sonoridade aguda, doce e no limiar da estridência, a obra recai em um ambiente em que a guitarra, com seu riff distorcido grave, domina. Fluida mesmo perante um ritmo sequencial, a faixa é agraciada por uma base melódica especialmente densa em razão do groove efetuado pelo baixo, o qual amplia o clima de tensão. Crua e adornada pelo autotune na camada lírica, a composição mergulha no soturno com profundidade.

Entre o burburinho de vozes e um som ambiente que captura a vida em seu improviso, a canção nasce a partir da união do vocal com a guitarra. Curta, mas transitando entre o bruto e o cru do metal com uma esfera sonora digital que traz consigo brisas de new wave, Wastin Time se mostra a faixa mais experimental do EP.

Com faixas como Left Behind, com sua crueza agressiva e seu viés de associação esquizofrênica; e 1Hit And Thast’s It, com sua crítica ao mainstream e à indústria da música, Familiar Mutation se apresenta um EP de ambiência bruta e texturas ácidas. Com boa mixagem e um caráter sombrio impactante, ele prevalece o orgânico, mas não se priva de experimentar sons e superfícies sintéticas.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6CP07a9dYqDTeCiOEgiZwr

Bandcamp: https://hateatfirstsight1.bandcamp.com/album/hate-at-first-sight