Não é apenas pelo seu visual opaco e cru, detalhe denunciado especialmente pela presença marcante de chiados que criam um senso de estática à introdução, que a obra exibe um teor entristecido. A maneira como o piano se movimenta, lenta, pausada e a partir de notas duplas, enaltece a vitrine melancólica que abraça a sonoridade conjuntural.
Intimista e de roupagem melódica indiscutivelmente dramática, a canção surpreende ao ser agraciada por uma camada lírica desenhada por interpretações à base de falsetes bem executados. Entorpecente em sua máxima essência, é até possível perceber que, em meio à arquitetura que amadurece, a faixa consegue criar uma interessante associação da melancolia já presente com as brisas que inserem a nostalgia no ambiente.
Instrumentalmente minimalista, mesmo quando começa a ganhar pulsos tímidos vindos de uma bateria eletrônica, a música passa a ser adornada por um aroma atmosférico de natureza curiosamente etérea que escancara a existência de uma densidade emocional latente. Diante desse ecossistema, Heart traz o Never Enough In Love sobrevoando valsas violinísticas lacrimais com bastante sensibilidade. Esse detalhe acaba sendo responsável por ressaltar a dor e o pesar diante de sinais cada vez mais pertinentes perante a roupagem de um indie pop que destaca o balanço entre intimidade, vulnerabilidade e profundidade cinemática.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/1K3FXUSp8TuYHLpl7gQlJf
Soundcloud: https://soundcloud.com/bearfeathers
Bandcamp: https://neverenoughinlove.bandcamp.com/track/junk-hearts

