Não é só por ser uma introdução que ela não pode oferecer uma sonoridade complexa. Essa é a ideia da presente composiçãoi, que usa o seu processo de nascimento como o momento de experimentação melódica para construir um ambiente de fato complexo, mas no sentido da gama de camadas nele presente. Com direito aos uivos aveludados da guitarra lap steel e ao dulçor levemente metálico do ukulele, além de trechos cuja desenvoltura de cordas soa levemente tremulante, a composição flui para o primeiro verso.
Desenhado primeiramente por um tom masculino de naturezas graves e nasais, o escopo lírico permite que a composição vá se beneficiando de uma postura introspectiva envolvente e, portanto, ausente de qualquer sinal sensorial de sofrimento. Entre os uivos melódicos que, aqui, também evidenciam uma leve contorção pronunciada pelo banjo, a música chama a atenção por desembocar em um refrão de energia contagiante perante a sua simplicidade e a sua delicadeza estético-estrutural.
Servindo como uma boa forma de destacar a leveza que rege a desenvoltura da composição, o refrão permite uma transição suave para novos versos de ar moldados pelo swing delicado e por um compasso rítmico fragilmente requebrado. Inclusive, é nele que a participação de Annette Philip se torna marcante, pois seu timbre agudo, doce e aveludado entrega mais suavidade a Here We Go!, hino acústico pós-pandêmico com a assinatura de Stephen Webber.
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