O violão expressa uma melodia com a devida delicadeza. Diante da sonorização de suas cordas, o instrumento coloca o ouvinte não em um estado de marcante melancolia, mas diante de um estímulo contemplativo associado a um toque de lamento. Introspectiva, a composição mistura as ideias de súplica com um viés de desespero ainda controlado que se evidencia por meio de determinados rompantes lírico-interpretativos. Visceral, a faixa-título carrega consigo uma espécie de pedido de socorro, mas um pedido completamente envolto em determinação.
Mudando o foco introdutório e até mesmo o esquema estético-estrutural anteriormente apresentado, a presente canção não se pauta majoritariamente pelo minimalismo voz-violão. Aqui, existem momentos valsantes que denunciam a presença sintética de violinos que cria uma sensibilidade não apenas fresca, mas macia e envolvente em meio à sua ampla leveza. Inclusive, nesse novo contexto, o piano exerce a função de protagonismo com seus dedilhares intermediários que sugerem uma melodia fluida, mas embebida em nuances reflexivas. Miturando o soul a partir das inflexões vocais com inclinações gospels através da combinação entre a própria voz e o piano, Everything I Needed consegue surpreender o ouvinte com a presença de uma voz feminina permeando o seu escopo lírico. Com ela, a canção ganha um dinamismo frágil que destaca a presença de um coro que faz crescer não apenas a harmonia, mas entrega contornos de um inquestionável viés cristão que entorpece o ouvinte diante de uma energia tão intensa e plena.
Um novo ecossistema se apresenta e, aqui, não é o violão nem mesmo o piano que alcança o protagonismo estético-estrutural. Com uma textura aveludada e de sabor adocicado, o violino envolve o ouvinte em meio a um ecossistema suave e macio, mas cheio de sentimentalismo. Lacrimal, mas não chorosamente pegajosa, a faixa rapidamente evolui para momentos de frases minimalistas pautadas na métrica de voz e violão. Still Ridin’ On, assim como aconteceu na obra anterior, é uma composição que se apoia na presença de backing vocals harmoniosos que incutem maciços contornos gospels em sua estrutura.
É curioso, porque, aqui, o violão não é golpeado com tanta ênfase como aconteceu nas faixas anteriores. Emitindo uma sonoridade introspectiva, doce e macia, o instrumento coloca o ouvinte diante de um ambiente aconchegante e repleto de ternura. Com rompantes dramáticos, a faixa requer um momento de autoconhecimento e autoconexão para entrar na sintonia de suas palavras tão profundas. Afinal, Guess I Clapped Loud Enough traz consigo uma ideia de superação bastante fervorosa, ainda que caminhe por momentos de introspecção até encontrar o seu apogeu clemente e dramático.
Com Hold The Light, o que Erickoscar apresenta é uma coleção de composições que transitam com grande profundidade pelos terrenos do soul e do gospel. Seja pelas inflexões vocais demonstradas pelo vocalista, pelas contorções do violão ou pela presença de backing vocals com uma força harmônica tremenda, essa dupla estrutural define como uma luva a essência do disco.
Sempre se pautando com intimismos e momentos de uma delicadeza que transita livremente entre a ternura e a clemência, o material, diante do seu total de 11 títulos, funciona como um produto motivacional ferrenho cujas mensagens impregnam o inconsciente e transformam a própria energia do ouvinte. Muito além de suas quatro primeiras faixas, a melancólica It’s Over, narrada com uma voz feminina equilibrada entre dulçor e veludo; e a surpreendentemente mariachi Eres Mi Latido escancaram a versatilidade de Erickoscar diante de Hold The Light.
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