Hollow Apologies é o novo álbum de Vigatron. Vem conferir!

A crueza é um detalhe estético que salta imediatamente aos ouvidos do espectador em razão da estridência exibida pelo timbre masculino que se apresenta como um elemento introdutório meramente narrativo. Contornando a atmosfera com o auxílio do efeito reverb, responsável pelos ecos que porventura podem ser identificados em meio às suas pronúncias, o cantor leva o ouvinte para um ambiente estético-estrutural aveludado capaz de combinar introspecção, aconchego e notas de um romance bastante sedutor. Sorry… é uma faixa que combina pulsos rítmicos firmes, melodias sintéticas agradavelmente amaciadas e versos lírico-interpretativos rappeados que garantem um maior dinamismo estrutural.

Chamando a atenção pela conjuntura de estímulos que chega a oferecer logo em meio aos seus primeiros instantes de desenvolvimento, a canção é marcada pela exploração de texturas que se forma diante da combinação rítmico-melódica exposta. A partir daí, GuD traz um viés percussivo curiosamente amaciado em razão da textura áspera do shaker que lhe dá um toque extra de movimento, detalhe que se associa harmonicamente ao compasso sincopado da interpretação verbal.

Trazendo consigo inflexões líricas que induzem à percepção do maqam, a canção já é capaz de esnobar intensos e marcantes indícios de excentricidade. Introspectiva e com texturas percussivas agudas e tilintantes, Kiss The Girls ainda é marcada pela presença de um groove de baixo encorpado que desfila uma dose ideal de densidade perante o movimento cadenciado vivenciado pelo rapper. 

Aquém do timbre grave e de inclinações levemente ásperas do vocalista, a canção não apenas se vale do seu caráter introspectivo. Ela se destaca em razão da sensualidade devidamente saliente que consegue produzir através do groove do baixo, o qual deixa a base melódica devidamente encorpada e densa, contribuindo para a obtenção de um som firme e atraente. Combinando nuances de funk em meio à sua natureza rap, Too Beaucoup é marcada, também, pela interpretação lírica provocante a partir dos suspiros notados após cada pronúncia.

Ela se vale de um caráter não apenas amorfinante, mas, principalmente, psicodélico e onírico, interpretações que se devem, principalmente, pela combinação da estética lírica e dos sons instrumentais adotados. Cheia de reverb, Fly (Bird Watch) retoma o seu caráter de consciência no instante em que o enredo lírico começa a ser devidamente construído. Sincopada e groovada, a faixa ainda possui boas brisas oníricas que suavizam a densidade da interpretação lírica, mas não minimizam o fato de que ela se apoia em uma base harmônica linear.

Introspectivo, onírico, brisante e devidamente sincopado, Hollow Apologies se apresenta como um disco que se pauta na exploração de texturas ao mesmo tempo em que mantém a atenção na cadência do beat e na sincronicidade estético-estrutural. Esses detalhes podem muito bem ser observados perante a execução de suas cinco primeiras faixas.

Como o álbum é um material com um total de 14 títulos, outras músicas também têm seu motivo de destaque. Exemplos disso são a balada romântica dançante e swingada Irresistible (Winter Love); a de refrão monossilábico La La La La e Come To Jesus, com seu coro vocal pautado no conceito gospel. A partir daí, Hollow Apologies ressalta a versatilidade de Vigatron.

Mais informações:

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