O despertar do clipe já dá ao ouvinte uma ideia de intimismo, de dramaticidade. De um curioso estado de aconchego. Focando nas mãos do pianista, o primeiro take captura os dedos caminhando amaciadamente pelas teclas do instrumento, o qual preenche o ambiente com uma sonoridade delicadamente aguda e agradavelmente aveludada.
Conforme a música cresce e passa a transpirar uma identidade rock alternativa com muita familiaridade com a paisagem sônica existente no Brasil nos anos 80, o vídeo vai mostrando outros músicos em suas respectivas funções, como o baterista Edu Cominato e as mãos do guitarrista em exercício constante. O clima de camaradagem e, portanto, parceria, é outro detalhe muito bem capturado pela câmera.
Entre cenas que mostram a produção atuando e o vocalista criando a composição em uma cabine de estúdio, a sonoridade de fundo é capaz de mostrar, ao ouvinte, a evolução estética da obra de tal maneira que evidencia a existência não de um flerte, mas de uma verdadeira inclinação para com a estrutura da new wave.
O clipe de Heaven, gravado por Rick Rocha e Caike Scheffer, oferece ao ouvinte a história da criação da canção. Como cada parte foi criada, desde o instrumental até as partes técnicas inerentes à mixagem, produção e masterização. Nesse sentido, inclusive, é como se Hugo Mariutti desse ao espectador a liberdade de ser mais um integrante no estúdio para presenciar tudo acontecendo.
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