A ideia que surge através de um rompante grave rasgando a calmaria transcendental com uma espécie de valsa mansa parece ser de um berrante. A partir daí, o ouvinte acaba sendo fisgado imediatamente por uma tomada sensorial embebida em uma espécie de nostalgia bucólica, tornando sua vivência não apenas frágil, mas encantadoramente introspectiva.
Vinda, na verdade, do violoncelo, essa melodia inicial é capaz de explorar, com afinco, uma ternura gentil e envolvente que faz com que o espectador se sinta, simplesmente, livre para se deixar levar pelas emoções propostas. Soando, gradativamente, como o canto da natureza, um som que se soma ao balançar das folhas e às marolas do lago, essa estrutura instrumental acaba fazendo surtir lágrimas nos olhos desavisados do espectador em virtude de seu charme e beleza misturados entre o folk e o clássico.
De certa forma, é até possível de se observar uma cena paternal sendo construída por meio da melodia. Um instante em que um pai caminha com o filho pela mata o ensinando sobre a vida no berço da vida. Não é à toa que a ternura, a gentileza e a sabedoria estejam ali, juntas. Quando o violino se soma a esse ambiente melódico, com seu dulçor frágil, fica ainda mais difícil de se conter as lágrimas. Afinal, Hymn Of Becoming é onde Lauren Conklin convida o ouvinte a caminhar por um terreno influenciado na pungente reflexão do autor Deepak Ramola sobre transformação.
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