O que salta à percepção do ouvinte de imediato é uma sonoridade densa de textura devidamente áspera que denota contornos de um sombrio surpreendente e dá ao ambiente uma tonalidade que pende do cinza monocromático a um degradê que pende para o preto absoluto. É com essa paisagem sensorial que, por meio do uso do autotune, o vocalista entra em cena com seu tom levemente digital e de nuances metálicas e dialoga diretamente com vislumbres rítmicos pulsantes e secos.
O interessante é perceber que, mesmo obscura e garantindo para si surpreendentes contornos de um pegajoso inescapável e, portanto, inevitável, a canção é capaz de sugerir ímpetos de um estímulo dançante com visíveis poderes de contágio. E o fato de que a batida rítmica engrena em uma cadência mais fluida e amaciada apenas coopera com essa percepção, conferindo nuances de um pop sinistro e sombrio como uma das essências da faixa.
Nesse ínterim, os versos gaguejantes pronunciados pelo cantor, que aqui apresenta um timbre levemente mais empostado, acabam oferecendo uma semelhança harmônica e cadenciante para com aquela existente no refrão de I Wanna Go, single de Britney Spears. A partir dessa pareia, Idol se configura como uma obra dark pop que funde beats industriais e interpretações líricais teatralmente horrorisantes.
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