Não é apenas o suspense que paira pelo ecossistema de forma livre. Por entre a modulação assumida pelo piano, a melancolia se faz presente de uma forma bastante marcante, de forma a exortar frestas que escancaram fraquezas e vulnerabilidades que fazem com que a obra adquira uma postura imediatamente introspectiva e cabisbaixa.
De melodia ondulante, é interessante perceber que, em meio a essa pungência dramática, a faixa também consegue colocar o ouvinte em contato direto com uma paisagem de cunho atmosférico capaz de entorpecê-lo. Delicada diante de suas brisas sombrias, é inevitável a imersão perante o extenso sentimentalismo aventurado pela obra e seu contexto instrumental minimalista.
Agraciada por uma cama grave e sintética, a faixa consegue caminhar livremente entre nuances de um dulçor compassivo a um estado de morfina que tenta, desesperadamente, mascarar a dor e o sofrimento. Com direito a uma tímida exploração de uma textura digital cuidadosamente áspera, Immersum é onde Gabriela Camposeo oferece uma energia reflexiva perante o estímulo ao mergulho profundo na direção da contemplação.
Com direito a silhuetas ao mesmo tempo cinemáticas e épicas, a faixa explora uma espécie de calmaria dramática que, quanto mais avança diante de sua própria exploração sensorial, mais exalta uma natureza esotérica. Inquestionavelmente transcendental, Immersum combina, de forma equilibrada, o pensar e o torpor.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2a2wAiEoTGNOppTvQ1fLkc

