De maneira crescente, a introdução leva o ouvinte a um ambiente dançante, mas construído sob uma cadência mid-tempo. Adornada por texturas ácidas que remetem à identidade da electro music, On The Inside ainda chama a atenção, por, inclusive, trazer, diante de seu sintetizador, uma frieza sintética sincopada que também chega a oferecer interessantes detalhes de synth-pop. Expansiva e de aparência digital que chega a oferecer uma aparência tecnológica e futurista, a canção chama a atenção por ser adornada por versos líricos definitivamente verbais e contínuos expressos sob uma textura excessivamente distorcida.
Com uma sonoridade que sugere um efeito decrescente, ELectricity é envolta, de igual forma à canção anterior, em texturas sintéticas ásperas. Ainda assim, aqui existe uma sequencialidade de pulsos rítmicos que chega a trazer referências ao techno, detalhe que é fundido às texturas ásperas do chimbal digitalizado. Sincopada, cinemática e audaciosamente capaz de ser até mesmo entorpecente, a faixa se mostra reverberante e com interessantes estímulos dançantes.
Imergindo em um universo eletrônico mais acessível, digestivo e popular, a presente faixa combina subgraves com um beat sincopado, mas sem pressão excessiva ou densidade exacerbada. Leve mesmo quando apresenta uma imersão na exploração de um ecossistema psicodélico em razão da natureza ácida, tremulante e hipnótica de seu sintetizador, Reality Games, ainda que seja a canção mais curta do álbum, é aquela de uma transcendentalidade introspectiva mais popular e envolvente.
Pode até se dizer que ela transpira nuances de um sombrio cheio de suspense e toques sinistros, mas a forma como Silent Sea – v2 vai se construindo explora uma acidez sincopada tipicamente associada à cenografia do synth-pop. Ao mesmo tempo, porém, o sci-fi pode ser encontrado como um tempero que salienta o sintético de nuances entorpecentes. Inclusive, a forma como Chris Ianuzzi vive o enredo lírico, sussurrante e transpirante, consegue combinar sensos de morfina com um tom provocativamente sensual que captura a atenção do ouvinte.
Nascida a partir de um beat de natureza opaca, mas sincopada, a canção, desde o seu início, consegue combinar introspecção e torpor diante de um contexto profundamente hipnótico. Trazendo inclinações com o sci-fi de forma a explorar uma espécie curiosa de futurismo espacial, Midnight Sun é marcada pela mistura de dissonância e estridência, mas sem estimular ou escancarar o caos. Com boas doses de um sombrio abrangendo o seu contexto conjuntural, a faixa proporciona um profundo estado imersivo de forma a beirar o onírico.
INSIDE, diante de sua track list de 12 títulos, oferece, ao ouvinte, um universo único, excêntrico. Misturando melodias e texturas que nem sempre assumem uma forma harmônica ou sincrônica, o material traz consigo a ptroposta do imersivo, do futurista e de uma propositada dissonância como forma de brincar com as nuances de torpor e lucidez.
Ainda assim, é inevitável a constatação de que o disco se vale de uma profundidade exploratória associada às texturas que regem seu corpo sonoro. Regado à acidez, à estridência e à aspereza, ele se envolve perdidamente em sintetizadores frios que induzem à percepção de sonoridades inerentes ao campo do electro, mas também do synth-pop.
De veia incontestavelmente futurista, o que traz consigo contornos sci-fis, o disco tem, como destaques, as suas cinco primeiras faixas, mas com especial menção a On The Inside por ser aquela com mais proeminência do post-punk em seu desenho sônico. Ainda assim, Traffic, além de ser a de duração mais longa, é aquela que combina o máximo do experimentalismo com um futurismo tecnológico latente. Com ela na soma, INSIDE se mostra como um disco em que o sintetizador modular encontra a introspecção post-industrial.
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