A maciez se confunde com o torpor e com a psicodelia em fração de segundos. Através da sonoridade sintética e de sabor curiosamente adocicado, a faixa consegue explorar, em meio ao torpor, um estado de conforto curiosamente inebriante envolto em noções de embrionária sensualidade em uma postura nitidamente intimista.
É interessantge perceber, inclusive, que, através da conjuntura sonora da faixa, o ouvinte consegue se perder, propositadamente, em um universo sensorial aconchegante e romântico em que a libido vem como uma espécie de educada e gentil consequência. Equilibrada em todas as suas camadas instrumentais, It’ll Be Over Soon, por meio do enredo lírico ofertado de maneira sussurrante por Kerry Charles, acaba, curiosamente, encaminhando o espectador em um movimento de catalogação de todo o acúmulo de desgaste físico, mental e existencial vivido pelo vocalista.
