Jeffrey Chan lança Boys Like Us, seu novo EP. Confira!

A atmosfera da canção já se mostra fresca, mas envolta em uma energia sintética que faz com que o ouvinte se perceba no centro de uma pista de dança que, gradativamente, vai ganhando vida. Por meio de uma voz empostada e levemente grave vinda de Jeffrey Chan, a faixa acaba ganhando, além de envolvência, uma sensualidade que a torna irresistível. De natureza eletrônica, Looking exorta uma estrutura dance pop que serve de base para um lirismo que grita pelo senso de conexão.

De beat sensual e compassado, a faixa explora uma sonoridade ácida que, consequentemente, esconde qualquer nuance de delicadeza que possa ser aventurada por Chan. Essencialmente dançante, a faixa mostra uma postura embriagada por parte do cantor que fica evidente por meio da interpretação lírica por ele adotada. Love It é uma faixa que consegue levar o ouvinte a experimentar incursões sensoriais noturnas bastante pegajosas que são embaladas por uma textura pipocantemente opaca trazida pela batida rítmica.

O interessante, aqui, é perceber que o artista passa a explorar, sem medo de represálias, uma atmosfera audaciosamente sombria através de suas sonoridades levemente ácidas. Ao se permitir se desenvolver, no entanto, House Of Sign se destaca por ter uma batida envolvente e de textura opaca capaz de soar curiosamente aveludada. De essência indiscutivelmente dançante, a faixa faz com que o ouvinte perceba notas nasais na voz de Chain, o que, de certa forma, enriquece a cenografia sonora por trazer novas texturas à sua arquitetura melódica.

De base rítmica calcada na cenografia electro, Run That Mouth já é capaz de promover uma energia não apenas pulsante, mas dançante de tal forma a favorecer um transpirar gradativo. De forma muito superior à Looking, a presente faixa faz da pista de dança a sua capital e a sensualidade, o seu DNA. Não à toa que a maneira com que Chan trabalha a sua voz faz com que essa sensorialidade seja generosamente enaltecida, chegando a um ponto de hipnotizar o espectador com sua abundante dose de swing.

Ainda que a faixa tenha seu início marcado por um embrionário toque de dramaticidade, o que acontece pouco depois é um mergulho profundo na sensualidade e em uma curiosa delicadeza exaltada pela forma como o beat é trabalhado. Enquanto a dança se torna uma experiência motivadora motriz, What Are Friends For, no que tange seu conteúdo lírico, faz com que o ouvinte se perca em um universo repleto e, inclusive, libertador, de libido.

Boys Like Us, acima de tudo, é um EP que mostra a temática modernista de Jeffrey Chan no que tange a sonoridade por ele adotada. Apesar de ser estritamente eletrônica, ela evidencia uma versatilidade ao transitar livremente entre o dance pop e incursões que vão do techno a embrionárias menções de house music.

Ainda que essas percepções sejam relativas, o que pode ser tido como um fato incontestável é a natureza de cada um dos enredos líricos que preenchem as cinco composições da track list. Exortando leveza, mas também clamando por liberdade e alforria de julgamentos, o EP, muito mais do que destacar a necessidade por conexão, funciona como uma voz representativa da comunidade queer através de uma sonoridade contagiante e dançante que, uma vez mais, clama pelo fim da intolerância.

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