O som que anuncia o nascimento da composição traz consigo uma identidade ambiente. Levemente crocante e sugerindo ser proveniente tanto do estalar das chamas quanto dos estalos de metais, ela avança e permite que o ouvinte seja colocado em contato com uma atmosfera não apenas introspectiva, mas também melancólica.
Graças à delicadeza serena e cabisbaixa do violão, a faixa conquista uma melodia que serve de embasamento para a construção de um enredo lírico que, tal como o escopo sônico, adquire uma energia lamentosa. Na posse de Jesse Kloos, o timbre agridoce que permeia a esfera harmônica exorta, curiosamente, marcantes sinais de uma agonia de aparência há muito censurada ou mesmo negada.
Entorpecente mesmo diante da presença de uma textura levemente ríspida que se coloca no ecossistema diante de uma desenvoltura linear e sequencial, a canção, em razão das superfícies uivantes aveludadas do sintetizador, se permite explorar, inclusive, nuances de um esotérico medicamentoso. Nesse meandro, Psilocybin Elephant adquire contornos dramáticos inquestionavelmente viscerais e lacrimais em razão da presença chorosa do violino perante a sua camada harmônica.
Mas não. Não é apenas consequência da sonoridade do violino que a canção adquire para si essa identidade sensorial. Também o andamento rítmico assumido pela bateria, mesmo que delicado, sugere um quê sofrido bastante marcante. Monocromaticamente cinza, a faixa ainda é respaldada pela densidade pungente do violoncelo a tal ponto que amplifica o seu viés sensorialmente rascante.
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