Que delicadeza, que suavidade e que frescor. A mansidão que se forma perante a introdução assume, de imediato, uma conotação imersiva e brisante que rouba a lucidez do ouvinte ao mesmo tempo que o faz flutuar. Em meio aos trotes amaciados do violão, o ouvinte percebe, de imediato, a presença da MPB como um dos ingredientes a preencher a receita estético-estrutural da obra.
Ganhando a companhia do timbre tilintante e seco do pandeiro, a composição passa a explorar a sutileza do escopo rítmico a partir de um minimalismo envolvente e de nuances entorpecentes. É então que uma espécie de duelo instrumento-vocálico se forma. Ao mesmo tempo em que o teclado começa a efetuar seus sobrevoos pela esfera melódica, a voz aguda, adocicada e levemente fresca de Marina Marchi acompanha, em uníssona simetria, as suas modulações por meio de frases líricas monossilábicas e onomatopeicas.
Introspectiva e com um requinte de crueza que a torna ainda mais charmosa, a canção vivencia o amadurecimento lírico no instante em que Marina começa a pronunciar, com clareza, as palavras que compõem o enredo verbal. Com seu timbre floral e devidamente açucarado, a cantora consegue fazer com que Our Love Blooms in Bossa atinja a forma de uma balada romântica ao modo charmoso e reservado da bossa nova.
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