Josi Costi estreia com sublime álbum “Joya”

O projeto não começou hoje e nem ontem, mas foi na primavera (outono aqui) de 2024, que o londrino Josi Costi transformou a tranquila casa de sua irmã em Richmond em um estúdio improvisado. Com um gravador de 4 canais e ao lado de músicos como Tal Janes (guitarra), Ben Reed (baixo) e o engenheiro de som Viktor, ele consolidou este que é o debut de sua carreira, “Joya”.

Um dos fatores mais interessantes do disco é que, além da sonoridade das composições, ele traz sons ambientes, desde o ranger do chão amadeirado, passando pelo vento não tão intenso, até a mudança dos trastes dos instrumentos. Isso porque foi praticamente gravado ao vivo, trazendo uma produção orgânica, que condiz muito com o estilo proposto.

Na verdade, estilos, pois, apesar do contexto voltado ao pop, Josi não fecha o seu leque e traz muito de sonoridades antigas em sua música. Algumas delas parecem até fábulas, tamanha a sutileza que emanam. Elementos eruditos e barrocos também dão um tempero mais diversificado, tornando o disco ainda mais prazeroso de se ouvir.

Tudo isso em dez composições equilibradas, que possuem em comum as bases de violão ora acompanhadas por uma percussão muito bem encaixada, ora por pianos discretos essenciais, ora por todos eles, além da voz única do artista, que fica entre sussurros e falsetes suaves.

Uma das tarefas mais difíceis no disco é destacar uma ou outra composição, afinal de contas, há um equilíbrio impressionante entre as faixas. Mas, podemos apontar algumas distinções entre elas, começando pela música de abertura, “Reverse Simulation”, que entrega um folk com violões magistrais e uma progressão intensa e dramática de Josi.

“San Bernardino”, uma das faixas mais agridoces do álbum é outra que chama atenção, com sua energia um pouco mais que positiva. Falando em energia, “Sleep” emana muito dela, com uma interpretação dramática e vocais quase falados nos versos.

Ainda recomenda-se a audição das duas escolhidas como singles prévios, que aliás, foram escolhas magistrais. Trata-se de “The Frog and The Sun”, que traz um trabalho vocal diversificado e erudito, e “Skin”, que tem um fundo country que chama atenção por dar um toque mais atemporal, além de um piano discreto magistral.

Claro, os quase 43 minutos de boa música devem ser conferidos sem hesitação, afinal de contas, além do trabalho sublime, que nos desperta reflexão, as músicas entregam temas voltados à vida em transformação, amor e paixão e à chance de renascer. Seria como se o saudoso Nick Drake encontrasse positividade nesse mundo!

 

 

 

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