Ela é marcada pela exploração de uma sonoridade digitalmente opaca e de natureza entorpecente. Misturando nuances de um dulçor levemente fresco, a canção acaba explorando, conforme desenvolve sua introdução, noções sensoriais que vão do transcendentalismo a notas penetrantes de esoterismo. Cuidadosamente pulsante, ela faz com que o ouvinte vá entrando em contato com um estímulo embrionariamente dançante enquanto se encaminha para o primeiro verso.
Nesse instante, a obra permite a interação direta do ouvinte com um timbre masculino afinado a ponto de soar, ao mesmo tempo, equilibradamente doce e aveludado. Vindo de Julian Sometimes, ele, na forma como é usado para dar vida ao enredo lírico, intensifica o caráter amorfinante da composição, promovendo, inclusive, uma densa fruição para com a introspecção.
Ainda assim, conforme vai atingindo seu processo de crescendo, a obra, automaticamente, vai amadurecendo a sua paisagem. A partir daí, sua estrutura acaba se arregimentando perante uma energia nitidamente dançante e empolgante, mesmo que sensorialmente envolta em um toque alucinógeno. Com o auxílio dos falsetes bem executados pelo vocalista, Buzz se torna, inquestionavelmente, um marcante single de estreia.
Se firmando como uma obra synth-pop de temperatura aconchegantemente morna, a faixa acaba se tornando uma espécie de trilha sonora desenhada estritamente nos moldes da primavera. Com suas notas florais, inclusive, Buzz consegue explorar e espalhar uma energia romântica bastante atraente.
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