O caráter sincopado já é algo evidente através do andamento sugerido pelo chimbal. Com sua textura seca e cadência em mid-tempo que causa a impressão de um movimento circular, o instrumento acompanha o primeiro vislumbre lírico com uma postura curiosamente provocativa que parece induzir ao estímulo da dança.
Com certo cinismo, enquanto o chimbal segue linearmente a sua desenvoltura, a canção permite que o ouvinte entre em contato, agora com mais clareza, com o enredo lírico em desenvolvimento. Por entre melismas que sugerem uma agradável noção de movimento, a voz que preenche o âmbito verbal se apresenta diante de uma aparência completamente digitalizada, de forma a tornar seu timbre agudo em um tom visivelmente eletrônico.
Com um hipnotismo evidente que transpira de sua sonoridade enquanto ela explora uma identidade curiosamente pipocante, a canção, felizmente, funde, ao seu amplo torpor, uma batida rítmica firme e de nuances secas que permite ao ouvinte o recobrar da consciência. O curioso é perceber que, mesmo intimista, Keep Me Right se mostra uma obra que presta uma profunda homenagem ao gênero garage dance britânico em sua forma clássica. Não é à toa que a dança se mostra como uma consequência da união de linhas de baixo saltitantes, vocais estimulantes e a exuberância eletrônica.
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