Depois de um rápido verso lírico introdutório, no qual o ouvinte mal consegue compreender perfeitamente o que foi dito, a canção mergulha em um universo de sonoridade dançante. Regida por uma paisagem noturna vibrante e por pulsos rítmicos contagiantes que não escondem a sua identidade techno, a faixa rapidamente entra em um drop que desemboca em um recorte em que o torpor comanda, mas a dança governa.
Capaz de furtar a lucidez do ouvinte tão facilmente quanto roubar doce de criança, a faixa combina uma sonoridade sintética e levemente ácida com um andamento rítmico-melódico curiosamente ondulante, o que, felizmente, consegue surtir em um efeito sensorial de fluidez bastante agradável. Conseguindo soar igualmente sombria em determinados momentos, a música, consequentemente, vai fazendo da pista de dança o centro de sua experiência sensorial.
Ainda que seja capaz de amofinar o espectador com a sua estrutura que soa majoritariamente linear, a canção não chega a mudar o seu andamento rítmico propriamente dito, mas passa a executá-lo a partir de uma sonoridade mais acústica garantida pelo seu beat. É assim que KØRYN, diretamente da Itália, torna Make Me Feel uma obra ainda mais dançante em sua versão cover, a tornando indicada a qualquer balada ao redor do mundo pelo seu potencial de êxtase e contágio.
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