O álbum tem seu início anunciado de uma maneira curiosa. A sonoridade do sintetizador, macia, aguda e delicadamente uivante, faz com que o ouvinte a interpreta como uma espécie de sirene, podendo aqui ser tanto ambulatorial quanto policial. A partir daí, um senso de urgência ronda o ecossistema, ainda que ele seja repleto de uma introspecção frágil construída, principalmente, pela interpretação lírica entregue por Labit e seu timbre agridoce. Na companhia de um violão cuidadoso e de um beat vulnerável, STAY AWHILE não apenas escancara a existência do pop em sua estrutura, como também lampejos de R&B, o que a torna charmosamente sedutora.
Com um beat pulsante estruturando uma levada rítmica sincopada e amaciada, a canção, logo em seu início imediato, consegue oferecer, ao ouvinte, uma boa noção de movimento e fluidez. Aqui, é interessante perceber a adoção de uma performance lírica transitante entre os sussurros e falsetes bem executados pelo cantor, atitude que, por si só, não apenas constroem, mas enaltecem, a sensualidade presente no ambiente. De refrão enérgico, pulsante e altivo, BREAK! é capaz de motivar o espectador a assumir um comportamento dançante imparável e, portanto, inquebrantável.
A introspecção volta à tona diante da atmosfera que começa a ser estruturada. No entanto, diferente do que aconteceu em STAY AWHILE, aqui ela entra de maneira mais frágil, tímida e sedutora. Destacada primeira e principalmente pela performance do violão, essa sensibilidade ganha certo impulso com a interpretação lírica assumida por Labit. Adornado em autotune e caminhando por timbres digitalmente editados em tons mais agudos, ele assume sua voz natural assim que o primeiro verso tem seu início de fato. É a partir desse instante, inclusive, que o público percebe a presença de brisas românticas sedutoras pairando pelo ar. Com esse arranjo, PRETTY se amadurece, definitivamente, como uma obra sensual, mas sem ser, necessariamente, apelativa.
Surpreendentemente, o ouvinte é colocado em contato com uma atmosfera até então inexperienciada no álbum. Com um swing diferenciado entoado pelo violão, a faixa não somente envolve o espectador em meio a uma percepção atmosférica praiana, mas, especialmente, despeja sobre o cenário uma energia tão branda que faz com que o torpor seja uma etapa inevitável após a conquista de bem-estar. Mantendo sua estrutura narrativa sussurrante, o cantor dá, também à obra, uma performance intimista. Enaltecendo, inclusive, a sua escola sonora acústica, Labit faz com que CLOUD traga consigo uma mistura estrutural de pop, mas, também, de reggae e um breve vislumbre de soft rock.
Às vezes é difícil se encorajar o suficiente para se lançar no mundo e tornar seu sonho realidade. Com SOL, Labit não apenas tornou físico os seus anseios, mas fez, do onírico, algo palpável também ao ouvinte. Afinal, a estrutura que montou em seu álbum de estreia é composta simplesmente por sonoridades minimalistas, acústicas e serenas que causam tanto conforto que soam como se estivessem vindo de um sonho.
Com uma postura frágil irreverente, mas não que ela esteja associada, necessariamente, à insegurança, mas, sim, à ideia de delicadeza, o álbum leva o ouvinte a vivenciar contextos rítmico-melódicos sedutores em razão de sua maciez natural. Com boas doses de frescor e uma introspecção sedutora, SOL chama a atenção pela sua mistura arquitetônica de pop, reggae e soft rock. Tudo com uma veia acústica atraente que tornam os quatro primeiros títulos da track list do álbum, as de maior destaque por sintetizarem mais cristalinamente esses apontamentos. Ainda assim, SOL é uma viagem sônica tão agradável que a sua execução completa acontece de maneira encantadoramente aconchegante.
Por ser um artista com descendência também filipina, Labit também alcançou grande notoriedade em parte da Ásia com seu single Someday Faraway. A obra, com um violão linearmente ondulante, explora uma maciez denotativamente aveludada e com bons pulsos rítmicos, traz consigo uma estrutura pop semelhante àquela entoada por nomes como Jason Mraz, Colbie Caillat, além de um ligeiro charme soul ao estilo Meghan Trainor.
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