Tem uma máxima no meio musical, que inclusive já falamos por aqui, sobre o terceiro disco. O primeiro disco apresenta o artista/banda ao mundo, enquanto o segundo marca o território e o terceiro tem o desafio de consolidar de vez. Não é uma regra, mas faz todo sentido, tanto que terceiros discos costumam se tornar clássicos.
Lana Crow, que é uma cantora e compositora britânica cuja música serve como um “diário musical” de resiliência, reinvenção e honestidade radical, chega neste ponto de sua carreira com “In Spirit”. E ela foi rápida neste processo, já que lançou os trabalhos anteriores, “I Will” (2024) e “Live It” (2025), nos dois últimos anos.
Nascida no Cazaquistão e com formação clássica em piano desde os cinco anos de idade, a trajetória de Lana foi interrompida precocemente por significativos problemas de saúde e uma infância turbulenta. Após um longo hiato na música, ela redescobriu sua voz depois de se mudar para o interior da Espanha, onde a natureza ao redor despertou um renascimento criativo.
Indo além do estilo de “diário musical” de seus trabalhos anteriores, este álbum é uma exploração conceitual da jornada humana. Dos “momentos difíceis” de introspecção acústica crua aos “momentos de êxtase”.
Lana transcorre por diversos estilos musicais, mas mantendo sua identidade, sem se perder nessa amálgama de elementos. Isso mostra seu equilíbrio e tato, que envolve um senso criativo incrível, resultando em sete composições consistentes e objetivas, já que o disco tem pouco mais de 21 minutos, muito bem aproveitados, diga-se de passagem.
O início com “I Do” não resume o trabalho todo, mas já impacta com o som climático, inspirado na new age e com elementos eletrônicos do synthpop. Encantadora, a música desperta reflexões e um sentimento de resiliência, tendo a voz de Lana, com seu timbre natural, um chamariz incrível.
Logo em seguida ela mostra sua versatilidade, já que “Orwellian Times” traz uma guitarra certeira, encaixando a faixa no pop rock. O groove e os solos bluesísticos, além da interpretação descolada de Lana, são os destaques.
Ouça ainda o remix de “No Secret”, que tem uma veia post-punk bem sacada, além da nova versão da música “Unknow the Known”, produzida por George Harris. Embora exista uma versão separada de Tristan Boston como single independente, Crow sentiu que era importante que o álbum apresentasse a versão original da música. A música é puro rock, mostrando que Lana também sabe ser agressiva. Mas, “In Spirit” merece uma audição completa, além de cumprir com seu papel na carreira da artista.
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