Desde seu despertar imediato, a canção coloca o ouvinte em contato com uma sonoridade de caráter incontestavelmente amorfinante, entorpecente. Ainda que aveludada e de nuances adocicadas, ela sugere, inclusive, uma imersão pungente no campo da psicodelia de forma a, invariavelmente, capturar toda a lucidez do espectador. É assim que a alucinação começa.
De natureza sonora curiosamente ululante e levemente tremulante que, consequentemente, bebe de uma base sensorial fantasmagórica, a canção, de maneira surpreendente, vai sendo gradativamente preenchida pela presença de um beat de desenho acústico capaz de reintroduzir, pouco a pouco, a consciência. É também simultaneamente à introdução desse escopo rítmico levemente sincopado que o enredo lírico nasce perante o timbre masculino intermediário de Tomonori.
Curiosamente explorando uma sensualidade despropositada a partir de suas pronúncias sussurrantes, o cantor vai fazendo com que a paisagem sônica desfrute cada vez mais de sua própria identidade postural introspectiva. Ainda assim, é importante destacar que, de forma marcante, Lantern evidencia ao ouvinte a mistura de paisagens sônicas não necessariamente associadas entre si. O afrobeat é presente na forma como o ritmo se estrutura. Já o indie pop está na estética sonora dos elementos sintéticos que, inclusive, se aventuram por entre texturas eletrônicas. É isso que faz com que a obra seja audaciosamente viciante.
Mais informações:
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCwIiU5iI5NI6cTsutGjwvqw
Site Oficial: https://www.tomonorimusic.com/
Spotify: https://open.spotify.com/artist/1gZkk8okw2qZdTw07xDFi0?si=XkdkhLgPS4Ov-JqIEcFQ9g
Instagram: https://www.instagram.com/hasgtomn/

