Lead Me Not Into Penn Station | Block lança versão repaginada de álbum lançado nos idos de 1996

A introdução traz crueza, intensidade, vulnerabilidade, mas, essencialmente, uma espontaneidade nata do vocalista, que, após uma onomatopeica interação com a plateia, deixa que o violão e a bateria desenhem, juntos, a atmosfera rítmico-melódica inicial da obra. Garantindo uma experiência sensorial macia e amena, os instrumentos conquistam, inclusive, certo grau de sensualidade corpulenta graças à entrada posterior do baixo na base melódica. Misturando menções stoners suaves, Rhinoceros se mostra uam faixa contagiante e leve, mas que se desenvolve perante uma arquitetura linear.

Trazendo um início nos mesmos moldes da canção anterior, a presente obra passa de uma crueza experimental durante sua introdução para uma paisagem sônica amaciada que, aqui, salienta seu ecossistema bucólico. Diante do protagonismo ondulante do violão de cadência sonora levemente acelerada, a canção acaba, invariavelmente, alcançando níveis de energia mais excitantes, ainda que perante uma sonoridade linear. Felizmente, Future’s Coming On Too Fast ganha novos níveis de contágio por meio da bateria pulsante e trotante que dá uma noção de movimento curiosamente mais festiva à atmosfera banhada por uma aura reflexiva graças ao teor do conteúdo lírico.

É interessante de se perceber que a presente canção, já a partir de seus primeiros sinais sonoros, consegue não apenas alcançar, mas ofertar uma sensualidade bastante consistente graças à interação direta e madura entre a bateria e o baixo. De forma ousada, a faixa não traz somente esse contexto como surpreendente. Hard é uma obra em que o vocalista ainda se aventura na construção de um enredo lírico calcado na cadência do rap, o que confere à obra um caráter sincopado e envolvente bem preciso e até mesmo irresistível. Inclusive, é preciso destacar que a canção, assim que entra em seu refrão, oferta uma paisagem enérgica e suavemente explosiva que denota uma sensualidade ainda mais saliente e provocante.

A guitarra, ao puxar, solitariamente, a introdução da canção, não apenas insere drama, pungência e um toque soturno na atmosfera. A partir de sua distorção, o instrumento também acaba preenchendo o ambiente com boas notas de crueza que, curiosamente, vai se transformando em melancolia conforme o enredo lírico ecoante vai sendo elaborado. Introspectiva em sua máxima essência, Ruben Says é uma obra densa e de energia pegajosamente cabisbaixa.

Curiosamente melódica e contagiante em um sentido mais radiofônico, a faixa se desenvolve de maneira amaciada por meio da interação sintônica entre voz e violão. Perante essa paisagem minimalista, é difícil que o ouvinte não seja fisgado pela sensorialidade folk, mas o que de fato marca o som de She Is é uma sensualidade que tangencia até mesmo a cenografia sônica do hard rock em virtude de sua postura provocante.  

Definitivamente, não se pode categorizar o presente álbum como um produto folk. Afinal, desde seu início imediato ao seu derradeiro fim, ele explora uma postura altiva, imponente e um tanto rebelde que tira, dele, a verdadeira essência do gênero citado. Ainda assim, é inevitável que ele seja percebido diante das diversas estruturas rítmico-melódicas que preenchem as 10 composições que formam a track list de Lead Me Not Into Penn Station.

Em uma atitude ousada, ao repaginar um álbum lançado nos idos de 1996, Block destaca a atualidade do material, bem como a força sonora que ele oferece ao ponto de reconquistar antigas atenções e atrair novas para com o seu conteúdo. Afinal, ele pode ser considerado um músico de grande influência, uma vez que ajudou a moldar, se não moldou solitariamente, um gênero musical.

O anti-folk, como é chamado, nasceu de seu ponto de vista rebelde, questionador e audacioso. Por meio de sua natureza, tal segmento rítmico ajudou a moldar outros estilos musicais, como o indie moderno, o folk punk e o lo-fi. Inclusive, é até possível de se perceber isso com bastante clareza diante dos cinco primeiros títulos que formam a sequência de faixas do álbum.

Isso acontece porque, nelas, a crueza, a sensualidade, o bucólico e o provocativo estão em destaque absoluto, seja via instrumental ou conteúdo lírico. Ainda assim, Lead Me Not Into Penn Station é, em sua máxima essência, uma experiência de desbravamento. Uma aventura pelo novo e pelo excêntrico.

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