Talvez tenhamos debatido bastante por aqui o quanto um trabalho de estreia pode ser uma faca de dois gumes. E isso é uma verdade, não absoluta, mas que pode acontecer. Afinal de contas, envolve diversas coisas lançar-se ao mundo com sua sonoridade autoral e nem todas elas são positivas, muito menos negativas.
Fato é que existem as duas possibilidades e elas estão muito ligadas ao anseio de debutar. Por isso, tem que se ressaltar o cuidado de Lee Clark Allen antes de lançar seu primeiro disco. O trabalho teve uma produção de seis anos, que exigiu todos os tipos de cuidado.
Da produção à estrutura, do instrumental ao contexto lírico, tudo foi medido, o que é refletido no disco. Intitulado “My World Is Yours”, o trabalho prima por contar com 20 faixas magistrais, onde ele consegue unir estilos, principalmente da black music, que geram uma personalidade forte e introspectiva, mas que não influencia na boa energia do disco.
Lee Clark Allen, que é natural de Duluth, Estados Unidos, traz letras com melodias autobiográficas que vão das histórias universais de vida e amor a lições que nos fazem refletir perante nossas próprias atitudes, o que deve ser louvado de forma intensa.
Além das influências declaradas de Daniel Caesar, John Legend e Nina Simone, Lee traz no trabalho de estreia uma equipe diversificada de colaboradores, incluindo o artista de hip-hop Donny Blot e o vencedor do Grammy Mike Bozzi. Não tenha dúvidas que isso justifica a versatilidade do trabalho e o equilíbrio que ele encontra.
As duas primeiras faixas são magistrais. “Alive” é uma música que resume o disco, trazendo em seu cerne o hip-hop e, mais discretamente o soul e o reggae. Nela, Lee já entrega um refrão que é para agarrar o ouvinte e não soltar mais, já abrindo o disco magistralmente.
“Little Fish Little Bread” é um reggae sem precedentes, que traz um ritmo mesclado com o coirmão DUB, encanta pelo trabalho excelente do piano e destaca a produção orgânica, que é um dos grandes trunfos do álbum. A música chama atenção por ser intensa, mas na medida em que ela é abordada.
Mas, são vinte faixas, e muitas outras delas se destacam, sendo que a cada audição, novos detalhes nos são entregues. Ouça ainda “Therapy”, “Prayn’ Betty” (que guitarra bem sacada), além de “Little Prayer”, aquele neo-soul recheado de R&B, que encanta até mesmo os mais céticos à causa. Que não pare na estreia!
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