Leo Tea anuncia Keep On, seu álbum de estreia. Vem dar uma ouvida!

Sua introdução é agraciada pelo efeito fade in. Com sonoridade crescente, ao passo que se permite evidenciar sua natureza sintética, a canção mescla tons agudos e outros aveludados em suas ligeirezas graves de forma a promover rápidos lapsos de torpor mesmo antes de apresentar seu enredo lírico. Perante um beat sereno no que tange a pungência de seus pulsos, Pyro se desenvolve a partir do instante em que Leo Tea entra em cena, com seu timbre intermediário levemente azedo, estruturando o escopo verbal seguindo as métricas do rap. Curiosamente, e felizmente, a canção chama a atenção do espectador por levá-lo a um instante de energia festiva e empolgante perante a existência de flertes para com a cenografia do afrobeat. 

Diferente do que se presenciou na canção anterior, aqui o que acontece é o oferecimento de uma conjuntura sonora que, desde o despertar imediato, se pronuncia de forma a evidenciar maturidade. Permitindo a identificação de nuances dramáticas diante de suas brisas frescas, a faixa logo comunica um compasso rítmico desenvolvido com o auxílio de chimbais sincopados. De pulsos mais firmes e, portanto, fortes, a faixa-título definitivamente explora a dramaticidade, mas não de forma a transformá-la em um produto triste. Afinal, a canção convida o espectador a caminhar por um terreno puramente motivacional e inspirador. Um material que torna positiva a energia e chama o ouvinte para a ação, lhe oferecendo consolo e boas injeções de resiliência.

Outra faixa de grande destaque na sequência de músicas de Keep On é Demon You Know. Se envolvendo em uma relação com o sombrio e o melancólico, o rapper se deixa levar pelas emoções inerentes à tristeza, à desesperança e ao desalento. De estrutura rítmica sincopada de forma a, além de oferecer uma boa e amaciada noção de movimento, flertar notavelmente para com a paisagem do trap, a faixa combina torpor e uma nuance curiosa e penetrantemente alucinógena diante de sua estética lírica. 

De sonoridade surpreendentemente calcada na paisagem eletrônica, é interessante perceber como a obra consegue oferecer um estímulo dançante ao ouvinte mesmo sem ter seu escopo sonoro devidamente apresentado. Se permitindo emaranhar pelo terreno exato da house music, Screw Loose, acima de tudo, prova e escancara a versatilidade musical de Leo Tea enquanto, com ânimo, ele transforma a noite em dia e leva o ouvinte à vivência de uma pista de dança vibrante.

Seguindo essa mesma linha experimental, o ouvinte é, agora, colocado sob uma cama de textura aveludada e até mesmo sensual, de certa forma. Sincopada, fresca, entorpecente, mas densamente sedutora, The Lonely Road, como o próprio nome sugere, coloca o espectador diante de uma sensorialidade melancólica e pulsante. Essencialmente introspectiva, a faixa ainda consegue transpirar instantes de um horizonte solar de caráter curiosamente motivador. 

Keep On, como primeiro álbum da carreira de Leo Tea, é um produto animador. Animador porque mostra um novo integrante da indústria musical que, felizmente, não teme se aventurar por diferentes terrenos sonoros. De fato, porém, ele mostra que o rap é a sua zona de conforto, mas isso não o impede de experimentar novas paisagens rítmicas.

Não à toa que, em uma coleção de 11 faixas, Keep On promove um encontro de tribos. Um ambiente versátil e plural. Enquanto atrai pelo rap, o material vai, gradativamente, pincelando o trap, mas também o R&B, o afrobeat e até mesmo a música eletrônica. Isso evidencia a existência de sensorialidades que vão do torpor e do drama à libido e à dança, sem se esquecer, ainda, de momentos surpreendentemente motivacionais. Isso faz do material um produto, no mínimo, estruturalmente intrigante.

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