É interessante como os pulsos sonoros conseguem chamar a atenção do ouvinte de forma imediata. Ainda que exaltando certo quê de charme classicista, a paisagem instrumental, diante da interação entre piano, violino e bateria, constrói cenas melódicas que induzem uma proposital dissonância para causar um tom de desconforto sensorial instantâneo no espectador.
No entanto, quanto mais se desenvolve, mais a canção vai permitindo que o ouvinte identifique sua verdadeira natureza. A partir da percepção do dulçor excêntrico da sanfona abrilhantando o escopo harmônico, a versão cover de Libertango enfim comunica a sua base rítmico-melódica baseada no tango. Assim, o perfume, o dulçor e, inclusive, a sensualidade, tomam conta de todo o universo sensorial dessa obra originalmente assinada por Astor Piazzolla.
