Ela tem um início marcado por uma estrutura um tanto audaciosa. Por meio de pulsos de aparência propositadamente dissincrônica, a canção expõe vislumbres melódicos que oferecem uma textura ligeiramente ácida ao ambiente. De pronúncia opaca e distante, ela dá uma ideia sensorial de profunda imersão no torpor, o que, consequentemente, traz consigo graciosas identificações introspectivas no que tange à sua postura.
Eis que, em dado momento, o ouvinte percebe a presença do tilintar opaco do encontro da superfície das baquetas. A partir daí, o que se tem é uma ideia não confirmada do incitar do compasso rítmico. Afinal, após a contagem de quatro tempos, os objetos passam a proferir uma sonoridade contínua, linear e insistente que apenas reforça a linearidade e o estado de embriaguez.
Chegando a soar tão parecido quanto o próprio tiquetatear do relógio, as baquetas acabam contribuindo para a alusão ao passar do tempo, misturando e confundindo o espectador em relação ao tempo vivido. Independentemente de ser passado, presente ou futuro, o fato é que a obra vai sendo respaldada por sons devidamente sintéticos que reforçam a sua audácia. Com uma duração superior a sete minutos, Light Of The Dead é, sem dúvida, um instrumental audacioso focado na experimentação de diferentes texturas.
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