O violão, pela maneira com que se apresenta para o ouvinte, surte em um efeito sensorial cheio de gentileza, delicadeza e um toque de ternura. Em meio à sua estridência metálica, inclusive e curiosamente, ele induz a uma percepção de intimismo diretamente associada à melancolia, tornando a paisagem melódica ainda mais tocante, mesmo em se tratando de um desenho minimalista. Rapidamente, a linha lírica começa a tomar corpo e a colocar o espectador diante de um timbre masculino afinado diante de suas incursões levemente ásperas. Conduzindo boas nuances de intensidade pelo ecossistema, o vocalista denuncia o soul perante as inflexões de sua interpretação lírica, fazendo com que a faixa-título seja dramática, mas principalmente cheia de gratidão.
Ainda que o violão assuma novamente a função de puxar a introdução, nesse novo ambiente ele constrói uma estética amaciada e de um contágio que induz à ideia da primeira balada declarada do álbum. Frágil, aromática, macia e com dedilhares que flertam com um teor de sensualidade ausente de sexualidade, a faixa traz novamente a união entre a voz e o violão de forma a construir uma atmosfera sensitiva e emotiva. Inquestionavelmente sincera e honesta, Say What I Feel não é tão visceral quanto a sua antecessora, mas ainda assim é carregada de emoção, de entrega e de precisão, característica que se evidencia logo que a obra atinge a sua segunda metade e recebe a bateria no comando do escopo rítmico.
Com uma afinação semelhante àquela adotada em Say What I Feel, o violão vem agudo e com uma postura que suscita brevemente o expansivo, mas com boas inclinações de fragilidade. Indiscutivelmente intimista, a canção parece apresentar até mesmo uma outra vertente tonal e interpretativa, afinal, aqui o timbre soa mais agudo e limpo, denunciando uma identidade até mesmo feminina. Induzindo, consequentemente, à ideia de uma cantora no comando de suas linhas líricas, Even I Forget traz a maciez característica do álbum, um produto que, até aqui, se apoia na profundidade emocional de maneira bastante intensa.
Apresentando uma paisagem sonora completamente diferente das obtidas até aqui, Because I Said So combina uma guitarra de riff levemente azedo com a textura seca do chimbal na função da construção rítmica. Mantendo a fragilidade, mas com novas superfícies, portanto, a faixa ainda se apoia no uso do efeito lap steel para, a partir de seus uivos, colocar o ouvinte diante de um clima agradavelmente bucólico. Com a mesma voz masculina retomando o seu posto, mas agora com uma exaltação em relação ao seu caráter nasal, a faixa caminha, com graça, pelo terreno fundido entre rock e folk, chegando a oferecer até mesmo impulsos dançantes bastante convidativos.
Em Live, Learn, and Love Without Regrets, seu novo álbum, ErickOscar coloca o ouvinte diante de cenários comandados única e exclusivamente pela profundidade emocional. Independentemente se intimistas, minimalistas ou expansivas e dançantes, as canções presentes na track list apenas ressaltam a versatilidade do artista em combinar honestidade com um apelo musical bastante atraente.
Oferecendo uma mescla que permeia soul, folk e rock, o disco, em meio às suas nove faixas, ainda consegue colocar o ouvinte perante ambientes que incitam a gratidão e uma espécie de autoconexão. Sem esconder o fato de ser inteiramente pautado na assistência de inteligência artificial, Live, Learn, and Love Without Regrets chega na forma representativa da prece diária de ErickOscar com destaque não apenas às suas quatro primeiras músicas, mas também a Te Voy A Tirar La Chancleta, composição de idiomática espanhola com base no reggaeton que prova, uma vez mais, a versatilidade do cantor.
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