Mesmo que a textura levemente áspera do chiado seja aquele elemento sônico que recebe o ouvinte, a canção vai rapidamente caminhando para a exploração de uma sonoridade sintética que sugere não apenas um movimento introspectivo, mas, sim, a captura do estado de torpor. Delicada e pincelando o lo-fi em meio às suas superfícies digitais, a canção permite que o enredo lírico vá sendo gradativamente elucidado.
Vivido por uma voz aguda que é usada diante de pronúncias sussurrantes que sugerem a sensualidade, esse viés lírico chega a até mesmo amplificar a percepção postural do intimismo. Na posse de Milyam, esse timbre traz consigo uma empreitada que ruma às impressões de conquista, de swing e de uma espécie de provocação mais contida que se evidencia perante um beat arrastado.
De pulsos duros e de chimbais capazes de fornecer uma conotação de fluidez, é curioso ver que o escopo rítmico seja capaz de pincelar, em meio a esse intimismo amofinante e sensual, o trip hop. Brisante e puramente entorpecente, Lost In The Jungle chega a flertar com o dramático, enquanto faz com que o ouvinte se perca diante de suas nuances cinemáticas penetrantes. Como uma mistura de luz e sombra, a faixa é definida como um produto destinado àqueles que não apenas ouvem música, mas, especialmente, a sentem.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/1X0d9nmjAD9OYBuD1Mn7Q2

