Seu processo introdutório faz com quer a primeira característica que a marque seja o conceito do intrigante. Gradativo e combinando sonares ambientes com outros propriamente instrumentais, o amanhecer da obra envolve o ouvinte em uma cama de torpor ao mesmo tempo em que é capaz de causar sensos de expectativa e insegurança. Enquanto a guitarra é percebida realizando movimentos ondulantes perante um riff ausente de distorção, mas apoiado em um sonar agudo, o beat acompanha tal andamento com pulsos de natureza firme expressos de maneira levemente sincopada. Na presença de uma linha lírica vivida por uma voz masculina sussurrante, Domain Change, invariavelmente, alcança um posto sensorial associado ao sensual. De postura introspectiva, a faixa explode em um refrão em que é explorada a textura ácida de uma guitarra cujo riff se torna embebido em distorção.
Diferente do que aconteceu na composição anterior, a presente faixa tem seu início já marcado por uma união de sonares instrumentais. Aqui, enquanto a guitarra desfila um andamento melódico amaciado e fresco, o vocalista se coloca em cena perante um timbre não tão sussurrante como o adotado anteriormente, mas mantendo uma linha interpretativa que segue dando embasamento a uma essência introspectiva. Construída inicialmente na união entre guitarra e voz, Thunderstorm consegue fazer o ouvinte caminhar livremente pelo torpor, o aconchego e o contágio por meio de uma fluidez que explora, de forma bem-feita, a crueza estético-estrutural em um contato amistoso com o apelo radiofônico equilibrado.
O início da presente composição coloca o ouvinte em contato com uma estrutura inovadora até o momento. Afinal, não mais pela melodia e por um aspecto introspectivo-melancólico, a presente faixa nasce a partir de uma frase rítmica madura em meio ao seu andamento amaciado, mas preciso. Curiosamente, assim que a guitarra entra em cena, ela fornece uma sonoridade que, em virtude de sua simples afinação, faz o ouvinte rememorar a melodia criada por Billy Gibbons na introdução de Sharp Dressed Man, single do ZZ Top. Aquém dessa brisa de semelhança, Can’t Follow desenvolve uma estrutura rítmico-melódica que, de alguma forma, acaba, sim, flertando com a temática do southern rock. Fresca e contagiante, a canção tem, em si, o escopo lírico e a própria guitarra como os seus personagens principais.
De aparência suspirante, envolvente e acalentadora, a canção, desde seu início imediato, especialmente em razão da forma como a guitarra se une com a voz, acaba ocasionando em um breve parentesco sônico em relação à introdução de Fuck Yourself, single de Justin Bieber. Conseguindo ser delicada, aveludada e suave ao mesmo tempo, About You é um interlúdio estruturalmente minimalista que serve de embasamento para um enredo lírico que, surpreendentemente, não se pauta no amor ou na paixão. Essa não é uma obra romântica, mas, sim, o retrato de um indivíduo em busca de autoconhecimento e autopertencimento.
Love In An Existential Crux é um disco que pode ser definido como um produto de paisagens sônicas delicadas. Envolto em boas doses de frescor e amparado por uma envolvência encantadoramente amaciada, ele consegue misturar, brilhantemente, questões internas em um contexto de apelo popular. De sonoridades contagiantes e cativantes que inspiram, acima de tudo, a leveza.
É verdade, porém, que, apesar desses detalhes estarem mais presentes e mais compreensíveis perante os quatro primeiros títulos da sequência de faixas, o álbum traz outros triunfos que merecem ser pontuados. Títulos como a introspectivo-melancólica Bridges; a sensual e amaciadamente sincopada Random; e a entorpecente e minimalista Fine auxiliam no processo de fazer de Love In An Existential Crux um disco marcado por uma honestidade crua que acompanha um indivíduo em busca de amor, de apoio, de consolo e, principalmente, de autoconhecimento.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5RoXseS3JeW0aQftvCrKZw
Soundcloud: https://soundcloud.com/cosmicmadnessmusic
YouTube: https://www.youtube.com/@comadz

