O sintetizador se mostra um elemento marcante da composição atmosférica desde o início imediato da canção. Por meio de um quesito levemente psicodélico, mas, ao mesmo tempo, capaz de imprimir ligeiras noções da new wave, o elemento dá base para que a composição se desenvolve de tal forma que se apoie na elaboração de uma estrutura curiosamente sensual e provocante.
Ainda que os pulsos da bateria sejam percebidos em meio à construção do enredo rítmico, a composição vai, gradativamente, mergulhando o ouvinte em uma energia sombria que faz com que uma espécie de sado-masoquismo seja percebida e, inclusive, enaltecida. Guiada por uma voz feminina de caráter interessantemente ácido em meio à sua base adocicada, a canção se permite experimentar toques de um contágio embrionariamente chiclete.
Nesse ínterim, é interessante perceber como a bateria evidencia a sua natureza percussiva funkeada, o que confere à canção um senso de movimento sincopado e saliente que contrasta com uma atmosfera setentista sombria e sintética cada vez mais gritante. Entre brisas de suspiros frescos, Madness chama a atenção por levar o ouvinte a experienciar um refrão de formato contagiante e chiclete. Surpreendentemente viciante, tal ápice narrativo ainda consegue ser recebido de maneira penetrantemente envolvente de forma a somar com a paisagem sensorial da obra como um todo.
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