Não que ela seja uma composição necessariamente sombria, mas a densidade com que a guitarra entra em cena suscita, mesmo que brevemente, essa ideia sensorial. Áspero e um tanto grave, o instrumento caminha por meio de uma distorção que coloca o ouvinte diante de boas referências que evocam o rock alternativo como a essência da composição. Com leves contrações em relação ao aspecto melódico, F**king Dance explora uma estridência capaz de enaltecer a densidade por trás de sua própria sonoridade, a qual é tomada por contornos suavemente esotéricos durante um refrão que, apesar de conter uma bateria explosiva, é respaldado por uma base atmosférica que suavisa a sua pressão.
Enquanto a guitarra caminha a passos trotantes diante de uma espécie de aspereza comportada, os primeiros sinais rítmicos se anunciam por meio de pulsos digitais que conduzem a desenvoltura lírica com bons ímpetos de fluidez. Minimalista perante o ecossistema que rege o seu primeiro verso, a faixa vai se tornando amaciada e fresca até explodir em um refrão em que Pridhvi Sunain Zoro abusa positivamente de seus falsetes. Diante desse contexto, Falling Through The Fire traz consigo um escopo harmônico-melódico cuja brevidade dramática recria a mesma sintonia sensorial alcançada por Rolling In The Deep, single de Adele.
Ainda que seja trazida à vida por meio do violino, a composição não esbanja drama, pungência ou qualquer sinal de sofrimento. Na verdade, em meio ao dulçor de sua pronúncia levemente valsante, Give Me A World acaba explorando uma postura introspectiva com singelos traçados reflexivos. Construindo o primeiro verso a partir de um violão de cordas censuradas e um piano que exibe fragilmente parte de suas notas, a canção parece se enveredar para um espectro sócioanalítico que não deixa o ouvinte escapar das insinuações para com um viés reflexivo. Esbanjando novamente um controle admirável acerca de seus falsetes, o vocalista faz com que a composição soe como um misto de contemplação pensante e clemência.
A partir de cantarolares uivantes, a faixa tem um início que surpreende o ouvinte. Afinal, ao mesmo tempo em que ele permite o despertar de um embalo entorpecente, tal despertar liberta uma aspereza densa que, ao ser apresentada pela distorção da guitarra, acaba desfilando uma coleção de cinismos e rechachos. Escorregando em uma segunda parte introdutória que pede pela introspecção pensativa, a composição explora o veludo ácido da guitarra, a pulsação firme do beat sintético e uma brevidade melódica entoada pelo violão. Colecionando incinuações dramático-melancólicas, Human Again é uma faixa que clama por uma sociedade melhor.
Ele é crítico. Quanto a isso, não existe qualquer contestação válida. Porém, o que chama a atenção perante essa identificação é que MAHA explora essa postura através de sonoridades suaves, frescas, melodiosas e delicadas. É como se ele quisesse afirmar que o que importa é a mensagem por trás da letra e não o que o instrumental executa.
De toda a forma, o caráter sonoro do álbum assume, sim, um papel primordial no peso de cada tema explorado. Justamente por serem delicadas, as roupagens das composições são mais suscetíveis ao convite à reflexão, ao embate socioanalítico e a um senso de humanidade. Zelando pelo caráter de unidade, portanto, MAHA, um acrônimo de Make America Human Again, usa suas 10 composições para explorar e dialogar, sem medo, sobre pressão, divisão racial, amores perdidos e a tímida batalha para a manutenção da humanidade.
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