É, no mínimo, impactante. Afinal, sem qualquer tipo de cerimônia, a canção leva o ouvinte, através da contribuição do sintetizador, em um ambiente completamente transcendental. Soando, inclusive, espirituosa e onírica, a faixa é capaz de fornecer doses agradáveis de um torpor aconchegante que acalma os ânimos e reequilibra as energias. Delicada, mas também dramática em virtude da desenvoltura do teclado, A.D.H.D. traz consigo uma base crua regida por chiados insistentes, mas não incômodos, os quais induzem a percepção do lo-fi na sua receita sensório-estrutural. O que chama atenção, porém, é que, a partir de dado momento, depois de um breve verso lírico, a composição mergulha no chiptune e se permite construir beats rítmicos de andamento ligeiramente acelerado, contribuindo para uma boa noção de movimento.
Se baseando ainda na influência sonora do chiptune, mas agora agraciada por brisas ásperas contagiantes, a canção caminha por entre uma maciez mais animada e excitante em relação à experiência sensorial vivenciada durante a execução da faixa anterior. O curioso é que How To Fly também experimenta a leveza como seu alicerce emocional, mas, ao contrário do que já aconteceu, ela usa essa qualidade como um meio criar a ânsia pela vida e, portanto, pela liberdade.
Surpreendentemente, o EP faz com que o ouvinte saia de uma crescente motivacional para imergir, novamente, em um campo regido pela melancolia e pela introspecção. Em Alone, apesar de sua estrutura sonora contagiante, existe uma delicadeza lexicalmente frágil preenchendo o ambiente, o que é enaltecido, inclusive, pela presença surpreendente de um verso lírico entoado pela voz levemente grave de Manuel Lambert. Na companhia de bbjohan, que pincela um dulçor levemente estridente no ambiente, o ouvinte acaba encontrando aconchego na morfina e em uma intensidade rascante curiosamente envolvente.
METANOIA é definitivamente um material que vende a delicadeza estética, se destaca pela ambiência estrutural digital e contagia pela sua maciez sensorialmente melancólica. Inquestionavelmente frágil e incontestavelmente aromático, o EP combina canções instrumentais com outras líricas que se complementam no objetivo de montar um enredo profundo no que tange as emoções humanas.
Perceptíveis principalmente no decorrer de suas três primeiras composições, METANOIA, muito além de introduzir a nova fase artística de Manuel Lambert, apresenta narrativas que traçam seu crescimento pessoal. Nesse aspecto, o que chama a atenção é o aprofundamento dado pelo material no que tange questões inerentes à saúde mental e à autoestima.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/39E5aeWsAyS6NGhjkYU1Ib
Instagram: https://www.instagram.com/emanuelelambertini

