Neil Potter lança esmerado disco de estreia

Vir de Liverpool e fazer rock já deve ter ume pressão instantânea na carreira de qualquer artista / banda. Afinal de contas, é de lá que vem a maior manifestação musical de todos os tempos e que fazia o quê? Rock! Nem é preciso dizer que estamos falando dos Beatles, certo?

Pois bem, é de lá que vem Neil Potter, que além de músico, é professor e dá uma aula (não resisti ao trocadilho) neste seu mais novo álbum de estreia de como fazer um rock abrangente e atemporal, como pouco tem se ouvido nos últimos tempos (sem exageros).

Com o singelo título de “Out of the Fjords and into New Found Lands”, o disco conta com 13 faixas onde ele transita por diversas facetas do estilo, mas não estaciona em nenhuma, entregando algo versátil, mas, principalmente, muito característico. Classic rock, rock alternativo e um leve besunte pop resumem melhor.

Mas, não há nada que faça com que o som proposto por Neil soe unicamente de certo jeito. As duas primeiras faixas, por exemplo, são grandes exemplos disso. Já abrindo o disco de forma explosiva, “What Could Have Been” entrega emoção de cara, com guitarras melódicas e nervosas e uma abordagem sucinta.

“Shipwrecked” tem uma veia progressiva e mais alternativa, ganhando corpo dentro de si mesma com melodias intensas e muito bem encaixadas. A faixa foi uma das escolhidas como single prévio, assim como sua sucessora “Musica El Idioma Del Amor (My Sweet Senorita)”, que carrega claras e muito bem elaboradas influências do flamenco. O outro single é a bela e versátil balada, com influências de Bowie, “Over The Hills”.

Outro destaque fica por conta de “Nightmares Pt 1” e nem pela beleza e acessibilidade que a música possui, mas sim pelo seu contexto erudito graças ao piano inserido, que expandiu ainda mais a sonoridade de Neil. O trabalho vocal emotivo e com certo drama também colabora e muito para a qualidade da canção.

Destaque ainda para “Seasons”, que ainda traz influências do flamenco, mas em menor escala, mostrando um lado psicodélico e mais técnico, além de, claro, o épico final de mais de nove minutos chamado “New Found Lands”, que traz o rock/metal progressivo como principal referência fechando o disco com chave-de-ouro.

 

 

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