Não é só a crueza que chama a atenção, mas especialmente a audácia por trás do formato da introdução. Sem sonoridades propriamente melódicas, a canção opta por puxar o seu nascimento a partir de uma levada rítmica macia, mas pulsante, acústica, orgânica e lenta. Uma lentidão que permite ao ouvinte perceber até mesmo o reverberar do próprio toque opaco do bumbo.
Ainda assim, é interessante destacar que a bateria, diante dessa cadência, consegue situar o ouvinte perante um ecossistema de pura delicadeza que transpira, inclusive, um torpor envolvente e curiosamente reconfortante. É então que a guitarra entra em cena com um riff agudo, mas de postura suspirante, a qual é capaz de reforçar a ideia da fragilidade em meio a um ambiente que consegue também exalar um aroma de natureza onírica.
Contudo, bastam novos momentos de avanço em meio ao escopo rítmico-melódico para que a canção apresente silhuetas de um melancólico aveludado que exibe as lágrimas, mas não de forma descontrolada ou desesperada. Com o seu lo-fi extremamente frágil, Never Had alcança um patamar transcendental inescapável a partir do desenho lírico-interpretativo mergulhado no reverb. De identidade espirituosa, a faixa exibe, com profundidade, as dolorosas consequências de um relacionamento de 11 anos.
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