Norueguês ST. NIKLAS lança habits of a complex mind, álbum que aborda as complexidades do amadurecimento

Seu despertar é fresco e com uma sonoridade sintética capaz de proporcionar uma agradável textura aveludada que é recebida pelo ouvinte da mesma forma como um horizonte pintado pelo nascer do Sol em uma manhã primaveril. Ao mesmo tempo, é interessante perceber como a obra consegue caminhar fluidamente entre os campos estéticos tanto da new age quanto de um indie pop de caráter transcendental. Envolvente, harmônica e denotativamente entorpecente, ICSTWYWHN se pronuncia, sonoramente, como a reprodução, em som, do processo do nascimento. Nesse ínterim, é interessante perceber como o timbre agridoce e púbere de ST. NIKLAS, em meio à interpretação lírica para a qual é utilizado, cria uma paisagem profundamente intimista e penetrante, transformando a experiência áudio-sensorial do espectador para algo, inclusive, de natureza etérea.

Diferente daquilo que o ouvinte vivenciou na obra anterior, aqui se tem uma combinação rítmico-melódica ligeiramente mais acelerada, o que proporciona uma experiência mais vívida e animada. Marcada pelos pulsos secos do bumbo marcando o tempo rítmico, a presente obra não demora em receber a interação do cantor com o ambiente sonoro. Ainda que em grau menor, a faixa consegue manter os detalhes entorpecentes ofertados em ICSTWYWHN, dando, ao ambiente, um caráter capaz de ser suspirante e, simultaneamente, dançante. Se consagrando como uma obra new wave ao estilo de Blinding Lights, single de The Weeknd, phone calls from home combina maciez, envolvência e frescor de uma maneira facilmente contagiante.

Mantendo a mesma natureza estética da composição anterior, mas se permitindo ampliar, delicadamente, o estado de ânimo, a presente canção traz, através de sua sonoridade, uma característica juvenil no que tange a ingenuidade e a pureza, mas em um momento de curiosa transformação. De atmosfera ligeiramente noturna, if we never met that night explora o senso de descompromisso, mas, também, uma espécie de romance desajeitado pela falta de experiências prévias. Com bom corpo, algo obtido através do baixo consciente na base melódica, a faixa escancara, uma vez mais, a delicadeza estética como uma assinatura da sonoridade de ST. NIKLAS, exaltando, consequentemente, a sua sensibilidade.

Melodicamente, ela nasce minimalista e capaz de explorar uma introspecção entorpecente e transcendental. Liricamente, a obra surpreende por apresentar, já nos seus primeiros instantes, a desenvoltura de um dueto de caráter doce e harmônico moldado entre ST. NIKLAS e sua convidada, DØSSI. Com sua voz de caráter aveludado, mas firme e equilibradamente açucarado, a cantora dá à composição um fortalecimento em sua energia amorosa e romântica. Transpirando confidência, a canção destaca a versatilidade do cantor e sua consciência lírica quando em contato com outros tons de voz. Com sua atmosfera branda, comfy leva o ouvinte a vivenciar, a partir do refrão, uma fluidez agradável e fofa por meio da desenvoltura da bateria, o que, inclusive, faz nascer um estado sensorial de confortável sensualidade.

Ele pode ser definido como um material de essência intimista. Doce e cheio de experimentações no que tange as diferentes texturas de veludo, habits of a complex mind é marcado pela combinação de atmosferas etéreas, transcendentais, introspectivas e, inclusive, dançantes, o que destaca a sua versatilidade.

Caminhando livremente entre os terrenos sonoros da new age, do pop, da new wave e do indie pop, o material arregimenta a suavidade como uma espécie de marca registrada do estilo de arranjo de ST. NIKLAS. Nesse aspecto, é até interessante ver a existência do casamento entre esse quesito e o viés lírico conjuntural.

Afinal, por mais que traga suas quatro primeiras faixas como as mais significativas de sua track list, o álbum, como um todo, é configurado através de uma linearidade fluida no que tange seu dialogar paulatino a respeito do processo de amadurecimento e, portanto, de crescimento interior. É por essa razão que o álbum transpira generosidade e ternura ao mesmo tempo em que explora uma espécie de sensualidade frágil, algo muito presente, por sinal, no título comfy. habits of a complex mind é, portanto, um disco feito para dançar e curtir uma energia de puro torpor que flerta com a psicodelia.

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