Sua sonoridade nasce com uma paisagem sinteticamente pipocante. Enquanto ela é capaz de incitar o introspectivo, existe, também, uma percepção sensorial agarrada em um toque de suspense que intriga e tensiona o espectador. A expectativa se cria e a ansiedade passa a ser um estado de espírito pegajoso que se fortalece a cada novo segundo da manutenção da sonoridade até então apresentada.
O interessante, nesse ínterim, é perceber que, ao mesmo tempo em que a linha lírica vai sendo desenvolvida de maneira gradual, mostrando com clareza o timbre firme e agridoce de Valerie Geffner, ocorre a identificação de nuances melódicas de natureza árabe pairando por entre a base sonora da canção. Lhe garantindo não apenas regionalismo, mas um quê de excentricidade, esse detalhe faz com que a composição explore, ainda, ímpetos de uma sensualidade dura.
Se tornando energicamente séria e densa, mas sem se desprender daquela ideia de embrionário swing, a versão de Valerie para Not A Days Goes By, faixa assinada por Stephen Sondheim, se mostra introspectiva. Igualmente sincopada e estruturalmente minimalista, o novo arranjo garante à obra uma percepção lírico-reflexiva latente que, curiosamente, chega a ter o mesmo efeito hipnótico que o som da flauta doce na arte de encantamento de serpente.
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