Apesar de a levada rítmica que puxa a introdução da obra ser pautada em um andamento amaciado, o que acontece é que, na somatória dos elementos, a qual ainda conta com guitarras e um toque adocicadamente ácido que reproduz o sonar do hammond, a obra acaba transpirando uma identidade introspectiva, reflexiva e, acima de tudo, consciente. Delicada, mas embebida em um aroma de nuances melancólicas, a faixa se permite assumir um caráter suspirante conforme o enredo lírico vai se formando de maneira gradativa.
Vivido por uma voz masculina de identidade afinada e levemente adocicada, tal escopo verbal bebe de uma densa brisa reflexivo-social que se evidencia perante cada palavra pronunciada pelo vocalista. Se apoiando em uma energia de esperança perpetrada especialmente pela harmonia vocal adquirida pela união do timbre do cantor com o feminino agudo e adocicado da backing vocal, a composição adquire contornos de um aroma graciosamente entorpecente.
De vestes americanas que contemplam, ainda, a imagem de um pandeiro que, com seus leves tilintares, auxilia na construção da fluidez rítmica, Not Alone, apesar de sua aparência sônica suave, traz consigo uma postura de rechaço, de união. De basta. Afinal, com a obra, o OpCritical usa de sua força artística para endereçar esse som ao perigo do autoritarismo que ameaça os Estados Unidos, reforçando, assim, o senso de união perante a população.
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