O cavaco puxa a introdução com uma leveza e uma harmonia tipicamente brasileiras. Macia, levemente sensual e completamente convidativa, a melodia construída pelo instrumento, de maneira inconsciente e involuntária, leva o ouvinte à dança. Ao lado do toque opaco do bongô, o instrumento vai sendo capaz de tornar o ecossistema em algo fresco e de singelezas estonteantes.
É nesse momento que o escopo lírico começa a ser cuidadosamente elaborado. Ocasionado por uma voz masculina de timbre levemente nasal de forma a rememorar aquele tom iconicamente nostálgico de Claudinho, ela consegue, ao mesmo tempo, amplificar os caráteres de maciez e suavidade da canção, como também enaltecer o frescor que dela transpira. Ainda assim, existe algo de intrigante nesse espectro.
A forma como o cantor vive o escopo verbal é capaz de despejar sobre a canção certas doses de uma melancolia que, apesar de perceptível, facilmente se esconde perante a instrumentação pagodeira. Isso acontece especialmente porque Nunca Mais, entoada diante do português brasileiro, oferece uma pungente reflexão em relação ao ritmo acelerado da vida moderna. Dessa forma, a obra acaba servindo como um lembrete para que o ouvinte diminua o compasso, respire profundamente e deposite a atenção naquelas coisas que realmente importam.
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